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La Galerie: conheça o novo museu da Dior em Paris

A maison Dior acaba de inaugurar um novo museu em Paris. Batizada de La Galerie, em forma de exibição permanente, a novidade foi inaugurada em 9 de março. Poucas pessoas já foram ao local, e eu já tive a oportunidade de conferir de perto. Melhor ainda: levei a primeira turma do Paris Style Week de 2022. O local tem luxo por todos os lados. Creio que se trata da melhor exposição de moda que vi na minha vida, até agora! Saiba mais detalhes e descubra como conhecer.

A visita

Logo após a inauguração oficial, eu tive o privilégio de visitar La Galerie com o grupo de março deste ano do Paris Style Week. Os participantes ficaram maravilhados: aprenderam sobre a Dior, tiraram fotos e viveram momentos únicos. Era fim de dia, com muita emoção. Todos adoraram!

Além de oferecer uma verdadeira aula de moda, La Galerie é um show de beleza; um choque estético! Com certeza, o museu foi pensado e desenvolvido para encantar. É impossível sair de lá sem se apaixonar pela Dior. Quem já é fã da maison vai embora gostando ainda mais.

A grife explica: “De acordo com uma narrativa cenográfica única, La Galerie Dior por si só simboliza o espírito da alta-costura parisiense tanto quanto perpetua a memória do endereço histórico, revelando modelos, croquis originais e documentos de arquivo, mas também acessórios e peças excepcionais, a maioria expostas pela primeira vez”.

Na entrada, há uma escada majestosa de mármore branco em espiral. Ao lado, em uma enorme vidraça, podemos observar mais de mil miniaturas coloridas de itens memoráveis.

Em uma parte, o chão é transparente. Através do piso, vemos uma releitura do ateliê da Dior. 

É uma exposição em que se gasta no mínimo uma hora e 15 minutos para poder conferir todos os espaços. Sem dúvidas, é melhor ir com tempo de sobra, porque vale a pena ficar pelo menos uma hora e meia.

La Galerie da Dior, com miniaturas de peças
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Paty Loureiro, Ana Huth e Valeria Doustaly
Ao meu lado, à esquerda, Ana Huth e Paty Loureiro Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Ateliê da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Sobre La Galerie Dior

A maravilhosa La Galerie Dior está localizada na Rue François Ier. Detalhe relevante: fica próxima à loja principal da marca, na famosa Avenue Montaigne. Passou por uma reestruturação durante dois anos e meio,  acompanhada de novos points, como um restaurante e um café, além da galeria.

O museu é extraordinário. Para contar quem foi Christian Dior, expõe fotos lindíssimas. Há imagens do francês ainda pequeno, em registros especiais da infância, com direito a uma árvore genealógica. Há detalhes como fotos dos pais e das irmãs do estilista, de onde eles moravam, além da empresa onde trabalhava o pai.

Depois, também é abordada a história de Christian como couturier, antes de fundar a própria marca. Ele trabalhou em outras grifes, como Piguet e Lucien Lelong. Jovem, ele fez parte de diferentes equipes.

Podemos olhar fotos até de jornal parisiense no dia em que Christian Dior faleceu: 24 de outubro de 1957. Inclusive, a exposição aprofunda em fatos que aconteceram antes e depois do falecimento.

 

A magnífica La Galerie conta não somente a trajetória da vida de Christian Dior, mas também a história marcante da marca fundada por ele.  É claro que não poderia faltar a parte do nascimento da label na Avenue Montaigne. Uma oportunidade incrível para entrar de verdade na história da grife.

Como destacou a própria label: “Tinha que ser no número 30 da Avenue Montaigne”, escreveu Christian Dior em suas memórias, publicadas em 1956. O couturier definia como um “sonho ambicioso”. Em 1946, quando tudo começou, ele empregava 85 pessoas.

“A casa Christian Dior começou com três oficinas, localizadas no sótão da avenida Montaigne, 30: um pequeno estúdio, uma sala de apresentações, uma cabine, um escritório administrativo e seis pequenos provadores”
Christian Dior, Christian Dior e Eu, 1956

 

Não posso deixar de citar que o New Look está presente na galeria. A história da criação da peça icônica é evidenciada. A silhueta Femme Fleur (mulher-flor, em tradução) foi revelada em 1947 e revolucionou a moda, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial.

New Look
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

 

Espaços conceituais

Cada sala é um universo, com direito a partes com foco em sons e movimentos. No ambiente de audiovisual, são exibidos vídeos de costureiros. As cores e iluminações de cada recinto variam.

Entre os espaços conceituais de La Galerie, divididos em andares, há uma área destinada exclusivamente a bordados. Também vale reparar em salas com calçados, luvas, joias, chapéus e perfumes.

Com o minucioso trabalho de Nathalie Crinière, curadora de retrospectivas da Dior, foram reunidos arquivos exclusivos. La Galerie contempla designs de todos os diretores criativos que já passaram pela maison. É claro que são expostas peças criadas por Maria Grazia Chiuri, a atual estilista que comanda a marca.

Por meio de peças de vestuário, também são mostrados exemplos de feitos deixados pelos designers Yves Saint Laurent (de 1957 até 1960), Marc Bohan (de 1960 a 1989), Gianfranco Ferrè (de 1989 a 1997), John Galliano (1997 a 2011) e Raf Simons (de 2012 até 2015). 

No entanto, La Galerie não fica apenas em fatos e valores históricos, mas também claramente tem um trabalho minucioso de marketing e de branding.

“São homenageadas as múltiplas fontes de inspiração: do esplendor dos jardins à sofisticação dos bailes, da beleza dos gestos das petites mains às afinidades artísticas, cada espaço evoca uma das muitas facetas do inestimável património que o a maison Dior valorizou desde a sua fundação e continua a enriquecer”, apontou a etiqueta.

 

Embaixadora global da Dior, a atriz Anya Taylor-Joy foi uma das pessoas privilegiadas que já fizeram um tour guiado na galeria. Com o Paris Style Week, você também pode!


Como conhecer La Galerie

Ficou com vontade de conhecer La Galerie Dior? A visita só pode ser feita com hora marcada. Venha comigo!

As inscrições para a próxima edição do Paris Style Week estão abertas. Não perca tempo!

Para obter mais informações e se inscrever, envie um e-mail para [email protected]. Você receberá todos os detalhes importantes.

 

Também é essencial lembrar que Christian Dior é uma das personalidades que estão no meu curso “10 estilistas que você deve conhecer”. Por meio do legado de designers renomados da alta-costura, ensino sobre 100 anos de história e evolução fashion.

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História da moda

Azzedine Alaïa: uma visita ao museu que era ateliê do estilista

O estilista tunisiano Azzedine Alaïa (1935-2017) se consagrou em Paris. Uma das personalidades que eu abordo no curso “10 Estilistas que você deve conhecer”, ele fundou a Fundação Azzedine Alaïa, com sede onde era o ateliê e a casa do estilista. O ambiente também funciona como museu, com exposições temporárias. Tive a oportunidade de visitar a mostra (atualmente em cartaz) que mistura o trabalho do designer com obras do fotógrafo Peter Lindbergh.

Exposição Alaïa Lindbegh 2021
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação

Fundação Azzedine Alaïa 

“Quero criar uma fundação em minha casa no Marais para abrigar minhas coleções de moda, arte e design, além de meus próprios arquivos”, disse Azzedine Alaïa. O sonho se concretizou em 2007.

Azzedine Alaïa fundou a instituição com seu parceiro, o pintor Christoph Von Weyh, e a amiga Carla Sozzani, editora de livros e galerista. A ideia era preservar a própria trajetória e o legado construído durante décadas. Depois da morte do estilista, o local passou a receber exibições com arquivos de acervo pessoal.

No espaço, que fica no número 18 da Rue de la Verrerie, ele criou inúmeros designs icônicos e também morou. Desde fevereiro de 2020, por decreto do governo francês, a fundação é reconhecida como patrimônio público.

Recentemente, inclusive, a residência foi tema de um documentário, transmitido em canal público francês de comunicação. A produção mostra a relação de Azzedine Alaïa com o complexo industrial de mais de 4000 metros quadrados, onde ele transitava entre a vida pessoal e a profissional. 

A Fundação Azzedine Alaïa é incrível; uma parada imperdível para quem visita Paris! Além de museu, o ambiente comporta loja com peças criadas pelo estilista; uma livraria, com curadoria fantástica; e também um café recém-inaugurado. A experiência é completa!

Fundação Azzeine Alaïa
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação


A exposição atual

A primeira exposição de 2021 da Fundação Azzedine Alaïa estreou em maio e ficará aberta até 2 de janeiro de 2022. Por lá, eu fiz uma live imperdível (disponível na íntegra ao fim deste post). Com curadoria de Benjamin Lindbergh e Olivier Saillard, a mostra mescla obras do estilista com o trabalho do fotógrafo alemão Peter Lindbergh.

Trata-se de uma verdadeira conversa entre a arte da fotografia e a moda. O interessante é ver as peças de vestuário, criadas por Azzedine Alaïa, ao lado de imagens, clicadas por Lindbergh, que representam a história do design. 

O fotógrafo e o designer tinham características marcantes em comum. Além da ligação artística, eles usavam – de diferentes maneiras – cores sóbrias, principalmente o preto. Enquanto Lindbergh explorava luzes e sombras na câmera, Azzedine Alaïa brincava com tecidos e texturas.

Fundação Azzeine Alaïa
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Exposição de moda e fotografia
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Fundação Azzeine Alaïa
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Olivier Saillard e Valeria Doustaly
Ao meu lado, Olivier Saillard, o curador da exposição Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Na exposição, é possível ver de perto o DNA criativo de Azzedine Alaïa, que ficou conhecido como um mestre da costura. O tunisiano trabalhava as peças como um escultor das formas.

Com estética conceitual e sexy, as criações eram feitas para mulheres ousadas. Afinal, a sensualidade é um marco nas criações do estilista. Ele apostava em silhuetas marcadas. 

Um dos materiais mais usados era o couro. Minissaias, capuz, argolas, recortes e modelagens justas também eram características frequentes. Uma das obras mais comentadas, por exemplo, é o cinto corset.

Vale destacar que Azzedine Alaïa ficou amigo de várias modelos, atrizes e cantoras, como Naomi Campbell e Tina Turner. Elas não poderiam faltar no acervo de imagens.

Foto de Naomi Campbell e o cinto corset ao lado
Cinto corset Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Naomi Campbell com o cinto corset
Naomi Campbell usando o cinto corset Peter Lindbergh/Fundação Peter Lindbergh/Divulgação
Azzedine Alaïa e Tina Turner
Azzedine Alaïa e Tina Turner Peter Lindbergh/Fundação Peter Lindbergh/Divulgação

Em uma visita anterior à Fundação, pude conferir de perto a exposição que comparou peças desenhadas por Azzedine Alaïa com criações de Cristóbal Balenciaga. A exibição foi aberta em 27 de setembro de 2020 e encerrada no dia 14 de fevereiro deste ano.

Sempre que há exposições novas, eu levo os meus grupos que vêm a Paris. Aproveito para ressaltar que a próxima edição presencial do Paris Style Week será em 2022!

Azzedine Alaïa e Cristóbal Balenciaga
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Azzedine Alaïa e Cristóbal Balenciaga
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Azzedine Alaïa e Cristóbal Balenciaga
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Quem foi Azzedine Alaïa

Azzedine Alaïa nasceu em Tunes, capital da Tunísia, no ano de 1935. Formou-se como escultor na École des Beaux-Arts de Tunis (Instituto de Belas Artes de Tunis). Na moda, a carreira começou em meados dos anos 1950, em Paris.

No começo da carreira, Azzedine Alaïa foi alfaiate na Dior, onde também trabalhou com Yves Saint Laurent. Depois, passou por grifes como Guy Laroche e Mugler. O tunisiano inaugurou o próprio ateliê no fim dos anos 1970.

O auge da carreira foi nos anos 1980, com uma moda totalmente atemporal. A primeira coleção de prêt-à-porter foi a de outono/inverno 1982. Contudo, foi na alta-costura que ele se encontrou verdadeiramente, pela satisfação de desenvolver looks únicos e exclusivos.

Estilista Azzedine Alaïa
Azzedine Alaïa/Divulgação

 

Azzedine Alaïa ficou conhecido por um estilo totalmente único; não se importava com tendências comerciais. Além disso, não seguia o calendário de temporadas do Paris Fashion Week. Ele desfilava quando a coleção estava concluída, no próprio tempo.

“Meu sonho era criar um vestido sem ter que ficar de olho no tempo que leva e sem ter que me preocupar quando vai ficar pronto, quando vai ser mostrado”, afirmou.

Azzedine Alaïa gostava de ser chamado de costureiro. Até o fim da vida, cortou e costurou. O estilista morreu em 18 de novembro de 2017. A última coleção de haute couture foi o outono/inverno 2017/18.

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História da moda

Saint Laurent x Mondrian: o vestido mais copiado da história da moda

Você sabia que o vestido mais copiado da história da moda foi desenvolvido por Yves Saint Laurent (1936-2008)? Trata-se de uma série de peças inspiradas no trabalho do pintor Piet Mondrian (1872-1944). Na década de 1960, o estilista francês reinterpretou o colorido das obras do artista holandês em uma coleção inteira. A releitura emblemática, que mistura moda e arte, virou um ícone fashion. 

Vestido da coleção inspirada em Mondrian, by Yves Saint Laurent
Museu Yves Saint Laurent / Divulgação


Mondrian by Yves Saint Laurent

Os vestidos em homenagem a Piet Mondrian foram concebidos para a coleção de outono/inverno 1965. Cada bloco intencionalmente colorido foi remendado com maestria para criar a aparência fiel da pintura  intitulada “Composição II em Vermelho, Azul e Amarelo”, de 1929. Como o próprio nome já diz, a obra é composta por tonalidades primárias, em nuances vibrantes.

Feito em jersey, que é um material bastante rígido, o modelo é uma verdadeira proeza. Não apenas pela estampa, mas principalmente por toda a construção do vestido em formas geométricas, sem costuras visíveis. Os cortes e o caimento são muito precisos, apesar da complexidade da mistura de cores.

Um detalhe interessante: à época Yves Saint Laurent pediu à Madame Muñoz, que trabalhava no ateliê de alta-costura e estava com ele desde os tempos da Dior, para ajudá-lo a escolher quem faria o protótipo da peça. O selecionado foi Azzedine Alaïa, antes de ser famoso. 

Para apresentar a coleção Mondrian, também foram desenhados calçados (Trotteurs) feitos pelo designer Roger Vivier. Foram peças pretas, com bico levemente retangular, decoradas com fivela quadrada metalizada. Combinavam perfeitamente com os vestidos, que tinham comprimento na altura do joelho.

Vestido da coleção inspirada em Mondrian, feita por YSL
Museu Yves Saint Laurent / Divulgação
Vestido da coleção inspirada em Mondrian, de YSL
Museu Yves Saint Laurent / Divulgação

 

Não é segredo que Yves Saint Laurent era um grande admirador da arte. A coleção inspirada em Mondrian foi um pontapé para uma carreira que envolveu referências de personalidades artísticas como Matisse, Pablo Picasso, Van Gogh e Andy Warhol.

Ele não foi o único designer a se inspirar na arte. Elsa Schiaparelli em colaboração com Salvador Dalí, por exemplo, fez um chapéu em forma de sapato, como eu já citei aqui no blog. No entanto, no caso de YSL, a arte ultrapassa o nível de inspiração e transcende como uma verdadeira obra, que pode ser usada no corpo. Afinal, o estilista transformou o quadro em roupa. 

Além de usar referências artísticas, ele colaborou com a escultora Claude Lalanne. Para o outono/inverno 1969, a collab resultou em dois vestidos particularmente marcantes, com cintura e seios moldados em cobre.

Esboços para a coleção inspirada em Mondrian, de Yves Saint Laurent
Esboços de YSL para a coleção inspirada na obra de Mondrian Museu Yves Saint Laurent / Divulgação
Peças de YSL x Claude Lalanne
Saint Laurent x Claude Lalanne Saint Laurent / Divulgação


Exposição 

Em fevereiro de 2019, o Museu Yves Saint Laurent, que é uma atração turística imperdível em Paris, apresentou uma seleção especial com com mais de 50 peças de alta-costura. Na exibição, uma seção foi dedicada inteiramente à coleção baseada em Mondrian.

Eu tive a oportunidade de visitar a iniciativa em diferentes ocasiões, com grupos do meu programa Paris Style Week. Foi em uma dessas experiências que me chamou atenção quando uma das guias revelou que o modelo Mondrian foi o vestido mais copiado da história da moda.

Fundado no fim de 2017, o Museu Yves Saint Laurent fica onde era o ateliê do estilista. Na 5 Avenue Marceau, o designer passou quase trinta anos desenhando coleções, de 1974 a 2002. Atualmente, no ambiente, está aberta a mostra “Yves Saint Laurent: Nos bastidores da alta-costura em Lyon”, que ficará até 5 de dezembro deste ano. 

Confira a live (disponível na íntegra ao fim deste post) que eu fiz da exposição em cartaz. Todos os detalhes estão no IGTV do Instagram do Paris Style Week. Eu estou sempre apresentando as novidades de Paris!

Vestido Mondrian em exposição no Museu Yves Saint Laurent
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Vestidos Mondrian no Museu Yves Saint Laurent, em Paris
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Participantes do curso de moda Paris Style Week no Museu Yves Saint Laurent, em Paris
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Quem foi Yves Saint Laurent

Um dos nomes que fazem parte do meu curso “10 Estilistas que você deve conhecer”, Yves Saint Laurent nasceu em Oran, na Argélia, em 1º de agosto de 1936. Naturalizou-se francês.

Em 1953, com apenas 17 anos, YSL participou da competição anual Secrétariat International de la Laine. O júri foi composto por designers renomados, como Hubert de Givenchy e Jacques Fath.

A competição era dividida em três categorias nas quais cada candidato poderia participar: casacos, ternos e vestidos. Saint Laurent conquistou o terceiro lugar na categoria de vestidos.

Com a ajuda do pai, conheceu Michel de Brunhoff, redator-chefe da Vogue Paris, em sua primeira visita à capital francesa. Foi Brunhoff quem o encorajou a desenhar. Também o apresentou a Christian Dior.

YSL com o esboço para o concurso Secrétariat international de la laine, em 1953
AP SIPA / Museu Yves Saint Laurent / Divulgação
YSL com bonecas de papel
Museu YSL / Divulgação

 

Em setembro de 1954, deixou Oran e se mudou para Paris. Ele estudou na École de la Chambre Syndicale de la Haute Couture antes de ingressar no estúdio de Christian Dior, menos de um ano após sua chegada à capital francesa. Quando Dior morreu, em 1957, Yves Saint Laurent se tornou seu sucessor. Ficou conhecido como “o príncipe da moda”.

Em 1958, YSL conheceu Pierre Bergé (1930-2017). Juntos, formaram uma parceria no amor e nos negócios, que serviu de base para a casa de alta-costura que inauguraram em 1961.

YSL
Museu Yves Saint Laurent / Divulgação
YSL
Museu YSL / Divulgação
Pierre Bergé e Yves Saint Laurent
Pierre Bergé e Yves Saint Laurent Museu Yves Saint Laurent / Divulgação


Entre inúmeros designs memoráveis, YSL foi o responsável por criar o smoking feminino. Pensado especialmente para os corpos das mulheres, o item foi revelado na coleção de outono/inverno 1966. 

“Para uma mulher, o smoking é uma peça indispensável, na qual ela sempre se sentirá na moda, pois é cheia de estilo e não apenas uma peça de roupa da moda. A moda muda, mas o estilo é para sempre”, declarou o estilista, que teve musas como Catherine Deneuve,  Loulou de La Falaise e Betty Catroux.

Le Smoking
Museu Yves Saint Laurent / Divulgação
YSL
Guy Marineau / Museu YSL / Divulgação

 

Yves Saint Laurent morreu em 1º de junho de 2008, mas deixou um legado incrível na moda. A direção criativa da maison foi assumida por estilistas como Stefano Pilati e Hedi Slimane. O belga Anthony Vaccarello está atualmente no comando da marca. 

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História da moda

Karl Lagerfeld: 10 cenários icônicos de desfiles da Chanel no Grand Palais

Um dos estilistas mais admirados de todos os tempos, Karl Lagerfeld (1933-2019) construiu um legado memorável. Há quase três anos, a morte do designer abalou o mundo da moda. Simultaneamente, ele comandava sua grife homônima, e atuava na direção criativa da Fendi e também da Chanel. Na grife francesa, a trajetória do alemão foi consagrada para sempre. Um dos pontos mais marcantes eram os cenários deslumbrantes de desfiles para a Chanel. Eram realizados principalmente no tradicional edifício Grand Palais, um dos lugares imperdíveis para quem visita Paris, como já citei por aqui.

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Quem foi Karl Lagerfeld

Karl Lagerfeld nasceu em Hamburgo, na Alemanha. Na década de 1950, o designer se mudou para a capital francesa. No início da carreira, foi assistente de Pierre Balmain. Nos anos 1960, Karl Lagerfeld começou a trabalhar na Chloé, grife na qual permaneceu durante 20 anos.

Tornou-se diretor criativo da Chanel em 1983. Na maison, ficou conhecido por levar modernidade e autenticidade, sem deixar de lado o DNA desenvolvido por Gabrielle Chanel. Tanto a fundadora da label quanto Karl Lagerfeld estão no meu curso “10 Estilistas que você deve conhecer”.  

Sobre Gabrielle Chanel, Karl Lagerfeld disse: “Meu trabalho não é fazer o que ela fazia, mas o que ela teria feito. O incrível sobre a Chanel é que é uma ideia que pode se adaptar a muitas coisas”. O trabalho do alemão tinha provocação, mas sempre com um toque chique.

Karl Lagerfeld
Chanel/Divulgação

Chanel com Karl Lagerfeld

Cenografias extravagantes, performáticas e criativas passaram pelo repertório de apresentações para as coleções de Cenografias extravagantes, performáticas e criativas passaram pelo repertório de apresentações da Chanel by Karl Lagerfeld, para as coleções de prêt-à-porter e de alta-costura. Aeroporto, supermercado, cassino, iceberg e praia estão na lista de inspirações que deram vida aos shows nas semanas de moda de Paris.


Carrossel 

No outono/inverno 2008/9, para o prêt-à-porter da Chanel, por exemplo, as peças da nova coleção foram reveladas com modelos em um carrossel. No fim do show, Karl Lagerfeld desceu de um escada em meio à estrutura giratória.

Carrossel da Chanel
YouTube/Reprodução
YouTube/Reprodução


Geleira

Já no fall/winter 2010/11, de prêt-à-porter, o Grand Palais recebeu um grande iceberg fictício. Em meio à réplica de uma geleira, os looks eram apresentados. A água no chão fez toda diferença na composição do cenário.

Geleira em desfile de moda
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Supermercado by Karl Lagerfeld

Outro cenário marcante pensado por Karl Lagerfeld para a Chanel foi o do ready-to-wear de outono-inverno 2014/15. O Grand Palais foi transformado em um supermercado. Produtos alimentícios preencheram as prateleiras com símbolos da Chanel. Para ficar ainda mais condizente com o cotidiano, o próprio designer e as modelos entraram no ambiente empurrando carrinhos de compras.

Supermercado em desfile da Chanel
YouTube/Reprodução
Supermercado em desfile da Chanel
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Karl Lagerfeld e Cara Delevingne
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Brasserie

Uma típica brasserie parisiense foi o cenário escolhido para o desfile de outono/inverno 2015/16 no prêt-à-porter. Com direito a mesas, bancada e até garçons, o ambiente imaginado foi nomeado Brasserie Gabrielle, em homenagem à Coco Chanel.

Brasserie da Chanel
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Cassino by Karl Lagerfeld

Para exibir a coleção de fall/winter 2015/16, na alta-costura da Chanel, Karl Lagerfeld não economizou na imaginação. O ar misterioso de um cassino de luxo foi retratado no Grand Palais. Mesas de blackjack, roletas e máquinas caça-níqueis incrementaram a performance.

Cassino em cenário de desfile
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Aeroporto

Vamos voar? Embarque com a Chanel Airlines! Na temporada de primavera/verão 2016, de ready-to-wear, o Grand Palais virou a réplica de um aeroporto. Os looks foram apresentados no terminal de fantasia da grife francesa, com imitações de balcões de check-in e muitas bagagens.

Aeroporto em cenário de desfile da Chanel
YouTube/Reprodução
Aeroporto em cenário de desfile da Chanel
YouTube/Reprodução
Karl Lagerfeld no spring/summer 2016 da Chanel
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Base espacial

Que tal mais uma viagem? Desta vez, com destino ao espaço sideral! No outono/inverno 2017/18 (prêt-à-porter) da Chanel, Karl Lagerfeld criou uma base espacial fictícia com um foguete em tamanho real.

Foguete da Chanel
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Floresta

Já imaginou uma floresta montada no Grand Palais? Foi exatamente isso que Karl Lagerfeld preparou para a temporada de outono/inverno 2018/19 de prêt-à-porter. Folhas cobriram o chão e nove carvalhos reais cobertos de musgos foram colocados no centro do cenário. Contudo, o desfile da Chanel não agradou ativistas ambientais e gerou polêmica à época. Em contrapartida, a maison prometeu plantar 100 novas árvores na mesma região de onde foram retiradas as usadas no show.

Floresta da Chanel em desfile
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Karl Lagerfeld em desfile da Chanel
YouTube/Reprodução

Praia

A primavera/verão 2019 da Chanel no prêt-à-porter teve referências à beira-mar. O Grand Palais recebeu nada menos que uma praia, em uma releitura da ilha de Sytl, onde Karl Lagerfeld passava férias na juventude. Areia, ondas, salva-vidas e barracas de madeira deram tom ao desfile.

Cenário de praia em desfile da Chanel by Karl Lagerfeld
YouTube/Reprodução
Cenário de praia em desfile da Chanel by Karl Lagerfeld
YouTube/Reprodução
Karl Lagerfeld e Virginie Viard no spring/summer 2019 da Chanel
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Riviera Francesa

O ar pacato da Riviera Francesa também foi inspiração para os cenários da Chanel. Para o desfile de primavera/verão 2019, de alta-costura, o estilista pensou em uma passarela com piscina cercada de palmeiras. A ideia era criar uma espécie de vila mediterrânea.

Vale destacar que o evento aconteceu em janeiro de 2019, mês anterior à morte de Karl Lagerfeld. Na ocasião, o designer já estava com problemas de saúde e não compareceu. A então diretora do estúdio da marca, Virginie Viard, representou Karl Lagerfeld para receber os aplausos finais. Atualmente, ela é a diretora criativa da Chanel.

Cenário de desfile da Chanel
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Virginie Viard em desfile
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Karl Lagerfeld além da moda

Na moda, o talento e o reconhecimento de Karl Lagerfeld são inegáveis. No entanto, a carreira do alemão ultrapassou o segmento fashion. Ele também era apaixonado por fotografia. Em diferentes ocasiões, além de desenhar peças de vestuário, o estilista tirou fotos para campanhas da Chanel. 

Ao longo dos anos, Karl Lagerfeld realizou exposições fotográficas. Uma das mais conhecidas foi a mostra The Litttle Black Jacket, que reuniu imagens de mais de 100 celebridades e foi aberta em diferentes cidades pelo mundo. Entre elas, Tóquio, Nova York, Londres, Milão, Pequim e Xangai. Em 2012, a iniciativa foi inaugurada no grandioso Grand Palais, em Paris. Em 2013, chegou ao Brasil.

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Exposição The Little Black Jacket
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Arquivo Fashion

Timeline da moda: a importância de peças que marcaram a história

A moda é cíclica: tendências vêm e vão. Para entender o que está em alta hoje, é preciso olhar para o passado. Afinal, a evolução é constante. Para ilustrar bem essa ideia, criei uma timeline da moda, com peças que marcaram a história em diferentes décadas. Vamos para mais um arquivo fashion!

New Look da Dior
Dior/Divulgação

 

Timeline da moda: evolução em décadas

Há várias formas de aprender sobre moda. Livros são sempre um recurso essencial. Além disso, aulas e viagens também valem a pena. O meu programa Paris Style Week é uma ótima oportunidade, é claro!

Outra forma interessante para criar repertório é visitar museus. Em exposições, é comum ver os acontecimentos em ordem cronológica. Dessa forma, é possível compreender melhor a periodicidade da moda.

Um bom exemplo que tenho na memória foi a mostra “Fashion Forward, 3 siècles de mode 1715-2016)”, que aconteceu no Museu das Artes Decorativas, em Paris. A exposição reuniu 300 peças de moda feminina, masculina e infantil, do século 18 até o século 21.

O conhecimento sobre história e evolução da moda é uma base que serve para ir mais longe. Nesse sentido, a linha do tempo preparada por mim vai ajudar na compreensão geral de quem se interessa pelo assunto. É muito importante ter referências claras para conquistar um vasto domínio de moda e ler desfiles, além de estar por dentro da trajetória das grandes marcas.

No meu material, que começa na década de 1900 e segue até 1990, há criações de designers fundamentais para a moda mundial. Alguns deles estão no meu curso “10 Estilistas que você deve conhecer”. Outros não são franceses.


Com a timeline da moda, você vai ter as seguintes oportunidades:

1 – Entender as décadas da moda
2 – Conhecer peças ícones
3 – Desvendar segredos de estilistas


Entre as peças escolhidas para a timeline da moda, por exemplo, estão as criações New Look, de Dior; Vestido de Metal, de Paco Rabanne; e o corset para Madonna, by Jean Paul Gaultier. O que elas têm em comum? Todas marcaram o DNA das grifes para sempre. Saiba mais!

 


New Look – Dior – 1947


Um dos estilistas mais renomados de todos os tempos, o francês Christian Dior foi o idealizador do New Look. Em 12 de fevereiro de 1947, o designer apresentou à imprensa sua primeira coleção, exibida na avenida Montaigne, em Paris.

Originalmente, a silhueta é chamada Femme Fleur (mulher-flor em tradução). Tem uma cintura extremamente marcada, com uma saia que parece pétalas de flores que se expandem. A famosa modelagem consiste na forma de “8” e se tornou a mais conhecida da marca.

O nome memorável de New Look foi dado pela jornalista Carmel Snow, da Harper’s Bazaar. Depois de ver o primeiro desfile de Christian Dior, ela declarou “Seus vestidos têm um ar de new look!”, por ter achado muito inovador. 

Primeiro desfile de Christian Dior
Dior/Divulgação
Tailleur Passe-Partou, da Dior
Dior/Divulgação
New Look da Dior, em exposição
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Grupo do Paris Style Week em loja da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

 

Robe en Métal – Paco Rabanne – 1967

Outra parte relevante da timeline da moda traz o conceito do estilista espanhol Paco Rabanne. Para a estreia da própria grife, em 1966, ele apresentou a coleção “Douze Robes Importables En Matériaux Contemporains” (Doze Vestidos Não Usáveis ​​Em Materiais Contemporâneos), em forma de manifesto.

Os vestidos de metal foram um verdadeiro choque! O material era completamente inusitado para a moda na época. Em 1967, a estética ficou consagrada de vez, quando Françoise Hardy apareceu em um minivestido com placas de ouro incrustadas de diamantes. Outras personalidades, como Brigitte Bardot e Audrey Hepburn, aderiram ao metalizado do designer.

Ao longo da trajetória, Paco Rabanne experimentou materiais como plásticos moldados, metal martelado e alumínio. A estética segue no repertório da label, que atualmente tem Julien Dossena como diretor artístico.

Estilista Paco Rabanne
Paco Rabanne/Divulgação
Douze Robes Importables En Matériaux Contemporains, de Paco Rabanne
Paco Rabanne/Divulgação
Françoise Hardy para Paco Rabanne com vestido Metal em 1967, parte da timeline da moda
Paco Rabanne/Divulgação

 

Corset para Madonna – Jean Paul Gaultier – 1990

Em 1990, a turnê Blond Ambition, da cantora Madonna, teve todo o figurino desenhado pelo estilista francês Jean Paul Gaultier. Um dos visuais gerou alvoroço: o famoso corset em formato de cone. 

O corset foi desenvolvido em rosa bebê, uma tonalidade que remete à inocência e delicadeza. No entanto, a modelagem é extremamente ousada. A peça é simbólica; representa a liberdade de que a mulher pode fazer o que quiser com o próprio corpo. 

Madonna na Blond Ambition Tour
YouTube/Reprodução
Timeline da moda: corset para Madonna criado por Jean Paul Gaultier
Jean Paul Gaultier/Divulgação
Esboço by Jean Paul Gaultier de look para Madonna. Parte da timeline da moda
Jean Paul Gaultier/Divulgação
Esboços by Jean Paul Gaultier de looks para Madonna. Para timeline da moda
Jean Paul Gaultier/Divulgação


Um fato interessante é que a criação de Jean Paul Gaultier Um fato interessante é que a criação de Jean Paul Gaultier veio dos corpetes de sua avó. Ou seja, o look para Madonna veio de uma peça antiga, que o designer artisticamente modernizou. Trata-se de um verdadeiro paradoxo entre o tradicionalismo, que limitava as mulheres, e a modernidade, em que o empoderamento é revolucionário.

 
 
Timeline da moda completa

A linha do tempo que preparei passa por diferentes momentos da moda, dos anos 1900 aos 1990. Você sabia, por exemplo, que Charles Frederick Worth foi o criador da alta-costura?

Já expliquei sobre o Robe en Métal, de Paco Rabanne; o New Look, de Christian Dior; e o corset desenvolvido por Jean Paul Gaultier para Madonna. No entanto, isso é só uma parte do arquivo.

No material preparado por mim, há peças como La Petite Robe Noire e a bolsa 2.55, by Chanel; o Balloon Drees, de Cristóbal Balenciaga; Le Smoking, idealizado por Yves Saint Laurent; e um figurino desenhado por Givenchy especialmente para Audrey Hepburn. Quer saber quando tudo isso (e muito mais) aconteceu?

Para ter acesso à timeline da moda completa, é muito fácil! Basta clicar aqui e fazer o download do PDF. Aproveite! No blog, os posts são publicados toda segunda-feira. Até o próximo! Fique de olho!

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História da moda

Pierre Cardin: visitei peças exclusivas guardadas por Madame Taponier

Criações futuristas e formas geométricas marcaram o DNA criativo de Pierre Cardin (1922-2020). Um dos estilistas mais ousados de todos os tempos, ele nos deixou em dezembro de 2020. No entanto, um grandioso arquivo de suas criações está bem guardado, sob os cuidados de Madame Taponier. A francesa foi uma fiel colaboradora, “braço direito” por mais de 50 anos. Eu tive o privilégio de visitá-la, em Paris. Fiz uma live imperdível (disponível no fim deste post) com peças de alta-costura que fazem parte do acervo do museu dedicado ao legado do designer.

Saiba tudo!

Valeria Doustaly em espaço com itens de Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

O Museu Pierre Cardin

Em 2006, o museu Passé-Présent-Futur (Passado-Presente-Futuro) foi fundado em Saint-Ouen, na França. Contudo, o acervo foi transferido para Paris. Inaugurado pelo próprio designer em novembro de 2014, o Museu Pierre Cardin ficava na rua Saint-Merri.

Desde que comecei o programa Paris Style Week, o Museu Pierre Cardin estava no meu roteiro, devido à importância que o designer teve para a história da moda. O espaço reunia mais de 250 modelos de alta-costura, desenvolvidos de 1950 aos anos 2000.

A responsável pelo acervo é a Madame Renée Taponier, curadora do museu. Foi lá que a conheci. Ela fazia as visitas com os meus grupos e começamos uma amizade. Sempre mantivemos contato.

Museu Pierre Cardin
Museu Pierre Cardin/Divulgação

Museu Pierre Cardin
Museu Pierre Cardin/Divulgação

Valeria Doustaly a caminho do Museu Pierre Cardin
No bairro Le Marais, minutos antes da visita Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Madame Taponier: uma visita exclusiva

Atualmente, o museu oficial está fechado. Provavelmente, segundo o site oficial da instituição, será reinaugurado em 2022. Enquanto isso, inúmeras peças estão guardadas do outro lado da rua. Logo mais, ficarão em um depósito, até a abertura de uma nova exposição.

Na visita exclusiva, no local temporário que não é aberto ao público, pude ver de perto cerca de 100 looks desenvolvidos por Pierre Cardin. As peças representam bem o DNA criativo. Para ilustrar, a maioria das fotos deste post foram tiradas no dia da live.

Durante a década de 1960, o estilista ficou conhecido por designs repletos de futurismo. Fez parte do grupo dos futuristas, junto a Paco Rabanne e André Courrèges, que sentiram a moda de um jeito peculiar e imaginaram o que as pessoas das próximas décadas usariam. 

Um fato interessante é o uso de materiais nada convencionais para a época. Inovador, apostava em vinil, PVC e acrílico, por exemplo. 

Valeria Doustaly e criações de Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Visuais criados por Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Peças do estilista Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Peças de Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Visual by Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

 

Pierre Cardin se tornou o “guru geometria”. Formas geométricas, principalmente bolhas, viraram um símbolo. Pudemos ver golas circulares e decotes retangulares.

Entre as peças, estão cores vibrantes, estampas em relevo, gorros, rendas, adereços, mangas bufantes, silhuetas marcadas e minissaias. Destaque principalmente para recortes e assimetria.

Outo fato extremamente relevante é que o estilista via a alta-costura, o segmento mais sofisticado da moda, como um “laboratório de ideias”. Ele tinha vontade de tornar a haute couture mais acessível.

Em 1959, revelou a primeira coleção de prêt-à-porter feminino, na loja de departamentos Printemps, na capital francesa. Como Madame Taponier lembrou, Pierre Cardin foi criticado por isso. Posteriormente, a aposta virou um dos pilares de maior sucesso da grife homônima.

Vale destacar que o designer também foi pioneiro das coleções exclusivamente masculinas, nos anos 1960. O primeiro compilado para homens foi apresentado por estudantes franceses.

Valeria Doustaly com manequim
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Visita a Madame Taponier
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Visita a Madame Taponier
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Visita a Madame Taponier
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Obras de Pierre Cardin
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Pierre Cardin na visão de Madame Taponier

Madame Taponier começou a trabalhar com Pierre Cardin aos 14 anos. Desde então, o estilista e a assistente firmaram uma relação de lealdade. Segundo a francesa, trabalhar com ele foi a grande alegria de sua vida.

“Deus me criou, Pierre Cardin me construiu”: é assim que Madame Taponier fala sobre a ligação com o designer. Emocionada, ela me contou que foi o estilista que a levou até o altar, no dia de seu casamento.

Madame Taponier preferiu não aparecer na live ou tirar fotos, mas tive a oportunidade de conversar sobre detalhes da trajetória do estilista. Ela o definiu como um verdadeiro gênio: “Todo mundo que virá depois não será nem parecido, será ‘fotocópia'”, disse.

Além das criações de moda, Madame Taponier guarda reportagens, imagens e documentos: “Eu sou a memória viva de Pierre Cardin”, orgulha-se a francesa.

No acervo, pude conferir versões do troféu Dedal de Ouro da Alta-Costura. Em 1977, Pierre Cardin recebeu uma edição Dedal de Ouro by Cartier pela coleção mais criativa da temporada. Também venceu o prêmio renomado nos anos de 1979 (pela primavera/verão) e 1982 (pelo outono/inverno).

Uma das paixões do estilista era viajar. Madame Taponier mencionou que o destino preferido foi o Japão. Ele chegou ao país pela primeira vez em 1957.

Um momento muito especial do encontro com Madame Taponier foi quando ela contou que Pierre Cardin pediu para ser enterrado com as tesouras de costura. “Talvez ele esteja criando no céu”, apostou. Emocionante!

Pierre Cardin com prêmios
Pierre Cardin/Divulgação

Dedal de Ouro
Dedal de Ouro by Cartier nas minhas mãos! Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Quem foi Pierre Cardin

Pierre Cardin nasceu em 2 de julho de 1922, na cidade de San Biagio di Callalta, em Veneza, na Itália. Com apenas dois anos de idade, ele chegou à França. Cresceu em em Saint-Étienne e foi naturalizado francês.

Em 1945, chegou a Paris. Trabalhou para a Paquin e depois passou pela Schiaparelli. No mesmo período, fez figurinos e máscaras para o filme A Bela e a Fera, de Jean Cocteau.

Em 1946, foi contratado por Christian Dior como alfaiate. Quando o New Look da Dior surgiu, Pierre Cardin estava trabalhando na parte dos tailleurs da maison.

Autodidata, sabia desenhar, cortar e costurar. Foi em 1950 que Pierre Cardin fundou a própria marca, com ateliê na 10 rue Richepanse. Ao longo dos anos, ficou conhecido por criações ousadas e muito à frente de seu tempo.

O estilista vestiu personalidades como Jackie Kennedy e Jeanne Moreau, com quem teve uma relação importante. Foram apresentados um ao outro por Coco Chanel.

Além da na moda, área na qual ele se consagrou, Pierre Cardin teve muito sucesso econômico, por ter criado uma rede de franquias com seu nome no mundo todo. Investiu em setores como hotelaria e perfumaria.

Estilista Pierre Cardin jovem
Pierre Cardin/Divulgação

Estilista Pierre Cardin
Pierre Cardin/Divulgação

 

Em 2019, o filme House of Cardin estreou no Festival de Veneza. Dirigido por P. David Ebersole e Todd Hughesum, o documentário faz uma homenagem, com depoimentos do próprio designer e entrevistas com pessoas que o acompanharam.

No ano passado, o estilista faleceu. Viveu quase 100 anos e deixou um legado único. Pierre Cardin não poderia ficar de fora do meu curso “10 Estilistas que você deve conhecer“.

 

Antes de encerrar, tenho uma pergunta para você: já se cadastrou na minha newsletter? Preencha no fim da página! Ah, se tiver alguma sugestão para mim, escreva um comentário! Também não deixe de acompanhar o Instagram do Paris Style Week. Por aqui, no blog, os posts são publicados toda segunda-feira. Até o próximo! Fique de olho!

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História da moda

Givenchy e Audrey Hepburn: a amizade mais marcante do mundo moda

Na história da moda, alguns estilistas tiveram musas inspiradoras. Foi o caso de Hubert de Givenchy (1927-2018) com Audrey Hepburn (1929-1993). O estilista francês e a atriz belga formaram uma dupla marcante. O encontro durou 40 anos, com parceria profissional e momentos pessoais de cumplicidade. Neste post, eu apresento a amizade mais marcante do mundo fashion.

via GIPHY

Givenchy e Audrey: o início da cumplicidade

Tudo começou em 1953, de uma maneira inusitada e divertida. Na época, Hubert de Givenchy, que faz parte do meu curso “10 estilistas que você deve conhecer”, já era um estilista famoso. Audrey Hepburn o procurou quando estava prestes a gravar o filme Sabrina, que estreou em 1954. 

Contudo, o designer francês quase recusou o convite para vesti-la, pois pensou que quem estava convidando era outra atriz, a norte-americana Katharine Hepburn. Felizmente, Givenchy aceitou e o trabalho com Audrey virou o início de uma parceria incrível. A partir de então, eles nunca deixaram de estar juntos.

Trecho do filme Sabrina
Paramount Pictures Studios/Reprodução
Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy
Eric Robert/Sygma via Getty Images
Audrey Hepburn e Hubert de Givenchy
Gamma-Rapho via Getty Images

Na lista de filmes em que Givenchy e Hepburn trabalharam juntos, além de Sabrina, estão os clássicos Cinderela em Paris (1957), Breakfast at Tiffany’s (1961), Charada (1963), e Como Roubar Um Milhão de Dólares (1966).

Entre os filmes, recomendo principalmente Como Roubar Um Milhão de Dólares. O figurino é maravilhoso! É um enredo ambientado em Paris. Ótimo para ver as ruas e sentir a elegância da cidade. Um dos looks mais icônicos do longa é formado por um casaco rosa. Trata-se de um visual atemporal, que inclusive qualquer fashionista usaria nos dias de hoje!

Em Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo, no título em português), foi eternizado o icônico vestido preto usado pela personagem Holly Golightly. Na trama, a protagonista aparece com o modelito em frente à vitrine da joalheria norte-americana; uma das cenas mais conhecidas do cinema.

Audrey no filme Sabrina
Paramount Pictures Studios/Reprodução Sabrina (1954)
Filme Charada
Universal Studios/Reprodução Charada (1963)
Folder do filme Bonequinha de Luxo
Paramount Pictures Studios/Reprodução Breakfast at Tiffany’s (1961)
Filme Como Roubar Um Milhão de Dólares
20th Century Studios/Reprodução Como Roubar Um Milhão de Dólares (1966)
Filme How to Steal a Million
20th Century Studios/Reprodução


O estilo de Audrey Hepburn

Tanto Hubert de Givenchy quanto Audrey Hepburn foram ícones que influenciaram a moda mundial; cada um de uma forma específica. O próprio Givenchy falava que Audrey, filme após filme, criou um estilo autêntico, que teve um impacto incrível no universo fashion.

Audrey tinha uma forma de se apresentar sempre chique, com uma pitada de modernidade. Além disso, a atriz tinha uma silhueta que todos admiravam. Muito além dos figurinos de filmes, Audrey Hepburn aderiu ao estilo de Givenchy na “vida real”. Fora das telas, em eventos de gala e premiação, a atriz também aparecia com criações do amigo estilista.

Trecho do filme Cinderela em Paris
Paramount Pictures Studios/Reprodução Cinderela em Paris (1957)
Trecho do filme Cinderela em Paris
Paramount Pictures Studios/Reprodução

A amizade foi positiva para os dois. De um lado, Hubert de Givenchy estava vestindo uma das atrizes mais renomadas e importantes de todos os tempos. Enquanto isso, Audrey Hepburn se sentia muito bem com os looks da maison.

Audrey Hepburn tinha uma estética com toque andrógino. A atriz era extremamente sofisticada. Contudo, ela era muito tímida. Indicada ao Oscar de Melhor Atriz por cinco vezes, a belga precisava participar de eventos e sustentar o título de uma grande estrela do cinema. Nesse sentido, os visuais da Givenchy a ajudavam a se sentir mais confortável com a fama. 

Em trecho do livro Audrey and Givenchy: A Fashion Love Affair (2016), escrito por Cindy De La Hoz, há uma explicação da própria atriz. “As criações da Givenchy sempre me deram uma sensação de segurança e confiança, e meu trabalho ficava mais fácil ao saber que eu me apresentava absolutamente bem”, disse Hepburn. A obra inclusive é muito interessante para quem quer saber mais detalhes sobre a trajetória dos amigos.

Livro Audrey and Givenchy: A Fashion Love Affair
Running Press Adult/Reprodução

É importante destacar que, antes de se tornar amiga de Hubert de Givenchy, Audrey usava apenas peças de prêt-à-porter e figurinos de acervos dos estúdios de cinema. A artista nunca havia vestido peças de alta-costura, o segmento mais luxuoso da moda, como já expliquei em post anterior no blog.

Como musa de Givenchy, Audrey Hepburn influenciava as coleções do estilista. “Em cada coleção, uma parte do meu coração, do meu lápis, do meu desenho vai ao encontro de Audrey”, afirmou o designer francês.

Outro fato relevante é a história do perfume L’Interdit (O Proibido, em tradução), criado por Givenchy, em 1957. O produto foi desenvolvido especialmente para Audrey Hepburn. No entanto, quando ele decidiu comercializar a fragrância, a atriz o proibiu. O embate gerou o nome do perfume.

Trecho do filme Cinderela em Paris
Paramount Pictures Studios/Reprodução
Atriz Audrey Hepburn
Frank Trapper/Corbis via Getty Images


Quem foi Hubert de Givenchy

Considerado uma lenda da moda, Hubert de Givenchy é um dos nomes que estão no curso “10 Estilistas que você deve conhecer”. O designer nasceu em Beauvais, na França. Na infância, seu avô tinha uma confecção de tapetes, o que fez com que a relação de Hubert com a costura começasse cedo. Antes de completar 18 anos, ele foi estudar na Escola de Belas Artes de Paris.

No fim dos anos 1940, Givenchy foi assistente de Elsa Schiaparelli, estilista de quem já falei por aqui. O francês inaugurou a própria grife em 1952. A sede da maison fica na Avenida George V, na capital francesa. 

O DNA da Givenchy ficou marcado por oferecer conjuntos com peças que poderiam ser usadas de forma separada. A própria marca destaca o design de linhas arquitetônicas, além da simplicidade.

A marca passou a fazer parte do grupo LVMH em 1988. Hubert de Givenchy se aposentou em 1995 e morreu aos 91 anos. Nos últimos anos, a label foi comandada por personalidades como John Galliano, Alexander McQueen, Julien MacDonald, Riccardo Tisci e Clare Waight Keller. Atualmente, o diretor criativo da marca é o norte-americano Matthew Williams.

Assista à live que fiz na loja da Givenchy, na Avenue Montaigne, mostrando algumas das criações de Matthew Williams:

 
 
 
 
 
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História da moda

Schiaparelli: o surrealismo e o comando de Daniel Roseberry

Depois de conhecer detalhes do legado de Coco Chanel e também de Christian Dior, chegou a hora de falar sobre Elsa Schiaparelli no blog. A designer fundou uma das grifes mais renomadas da moda francesa e mundial. A Schiaparelli tem um legado memorável e único. Entre as principais características, está o surrealismo. Atualmente, o diretor criativo da marca é o estilista Daniel Roseberry, que desenvolveu a última coleção de alta-costura da maison, apresentada recentemente. O norte-americano está no cargo desde 2019.

Elsa Schiaparelli
Elsa Schiaparelli Schiaparelli/Divulgação
Schiaparelli/Divulgação

 

Elsa Schiaparelli

Elsa Schiaparelli (1890-1973) é uma das estilistas que estão no meu curso on-line “10 Estilistas que você deve conhecer”. Ela nasceu em Roma, na Itália. Estudou filosofia, mas sonhava em ser atriz. Em 1911, publicou uma coleção de poemas sensuais, chamada Arethusa.

Fundou a marca homônima na França, em 1927. Durante sua trajetória, Elsa usou a moda como uma forma de se expressar artisticamente. Era alguém que não tinha medo de chamar atenção, de propor designs inovadores, com ideias extraordinárias de formas e materiais novos. 

A estilista criava um tailloring perfeito, tanto para o dia quanto para a noite. Já os vestidos de gala tinham a sensualidade como uma característica marcante. Elsa Schiaparelli era adepta dos bordados, principalmente em parceria com a Maison Lesage. 

Entre as criações, as estampas e os shapes nada convencionais chamavam atenção: tartarugas abstratas, esqueletos, tatuagens de marinheiro. Em 1935, a designer criou a icônica estampa de jornal. Um dos fatores mais acentuados foi a influência do surrealismo. 

A italiana também ficou conhecida pelo uso da cor rosa-choque. Ela batizou e popularizou a tonalidade. É relevante ressaltar que ainda nos anos 1930 Elsa colocou fechos aparentes nas roupas, misturando estilo e funcionalidade. Em meados dos anos 1940, criou uma coleção chamada A Constelação.

Elsa Schiaparelli era muito amada nos Estados Unidos. Foi a primeira estilista mulher a aparecer na capa da revista Time, em 1934. Além disso, conquistou várias artistas de Hollywood, como as atrizes Katharine Hepburn e Greta Garbo, entre outras.

Capa da revista Time com Elsa Schiaparelli
Valeria Doustaly

 

Ligação com a arte


Elsa Schiaparelli tinha uma forte relação com a arte. Era muito amiga de artistas, como Jean Cocteau e Salvador Dalí. As colaborações com eles viraram um marco. Uma das criações mais famosas, inclusive, foi feita com Dalí: o chapeau chaussure, que é um chapéu em formato de sapato.

Outra peça muito conhecida é o vestido Lagosta, comprado pela Duquesa de Windsor. O crustáceo, que inspirou o look, era tópico habitual nos trabalhos de Dalí.

Além de vestuário e acessórios, a designer italiana lançava perfumes, todos com formas diferenciadas. Uma das fragrâncias mais famosas é intitulada Shocking, criada em 1937, com um frasco conceitual e lindo.

Criações da estilsita Elsa Schiaparelli
Schiaparelli/Divulgação



Em julho de 1940, a estilista deixou Paris. Voltou após cinco anos. Logo depois, quando acabou a Segunda Guerra Mundial, Elsa Schiaparelli precisou fechar os negócios. Em 1954, a designer escreveu uma autobiografia. A marca ficou sem atividades até que surgiram novos investidores.

A sede da maison fica na Place Vendôme, em Paris, onde a idealizadora se consagrou. A praça é conhecida por reunir várias joalherias, sendo a Schiaparelli a única marca de roupas. Inclusive, é um dos lugares que visitamos no meu programa Paris Style Week.

Participantes do Paris Style Week em loja da Schiaparelli, em Paris
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

 

Daniel Roseberry no comando da Schiaparelli

Atualmente, o diretor criativo da grife é o norte-americano Daniel Roseberry, natural do Texas. O designer faz um trabalho excelente e disruptivo. Ele mantém o DNA da marca de uma forma moderna, para a mulher original dos dias de hoje, e principalmente para red carpets. Consegue trazer o espírito de Elsa Schiaparelli, de uma maneira que sempre surpreende o mundo.

A Schiaparelli não pertence a grupos de luxo, como o LVMH e o Kering, que costumam proporcionar grandes investimentos às marcas que controlam. Mesmo assim, consegue estar na boca de todos sob o comando de Roseberry. 

Com o privilégio de abrir a Semana de Alta-Costura, a maison sempre gera muitas expectativas no público. As apresentações da Schiaparelli tem uma fantasia fora do comum. Com a chegada da pandemia global, a label deixou de realizar desfiles presenciais. Ultimamente, tem produzido filmes para revelar as coleções. 

Daniel Roseberry é um profissional multifacetado. Dedicado visivelmente apaixonado pela marca, ele participa de todo o processo de produção, do esboço ao resultado final, além do marketing de moda. Muitas vezes, ele mesmo tira as fotos dos looks. Simpático e carismático, o norte-americano se adaptou maravilhosamente bem à rotina francesa. 

Look de primavera/verão 2021 da Schiaparelli no segmento de haute couture
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de primavera/verão 2021 da Schiaparelli no segmento de haute couture
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de primavera/verão 2021 da Schiaparelli no segmento de haute couture
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de primavera/verão 2021 da Schiaparelli no segmento de haute couture
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de primavera/verão 2021 da Schiaparelli no segmento de haute couture
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação

 

Outono/inverno 2021/22 na alta-costura

Como já foi mostrado no post anterior do blog, a alta-costura é a parte mais sofisticada e exclusiva da moda. No segmento, a Schiaparelli se destaca. A última coleção da casa, revelada em julho, foi a de outono/inverno 2021/22.

A partir da própria visão de Daniel Roseberry, podemos ver as ideias de Elsa Schiaparelli. Uma característica frequente, por exemplo, é a junção do preto e do dourado, combinação que a fundadora da maison adorava. O rosa-choque também não poderia faltar.

Batizado de Matador Couture, o trabalho traz chifres, bordados e joias corporais. Maximalismo e volume estão nos visuais. O surrealismo se faz presente em diferentes shapes e dimensões, como formas de mamilos, olhos, bocas e narizes.

Look de fall/winter 2021/22
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de fall/winter 2021/22
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de fall/winter 2021/22
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de fall/winter 2021/22
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de fall/winter 2021/22
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação
Look de fall/winter 2021/22
Daniel Roseberry/Schiaparelli/Divulgação

 

 

Um fato é que o diretor criativo atual sabe aproveitar muito bem a “carta aberta à criatividade” que o legado da Schiaparelli proporciona. Comumente, Roseberry emprega novos materiais, como os metais. Um ponto interessante é que a linguagem que acompanha os lançamentos da Schiaparelli é contemporânea, com direito a materiais de bastidores divulgados nas redes sociais. 

 

https://www.youtube.com/watch?v=oicdMSWFBeQ&t=144s

 

Curiosidades da Schiaparelli

Temos que destacar a elegância de Elsa Schiaparelli. A italiana era sofisticação em pessoa. Uma informação relevante é que a estilista influenciou no sucesso de outros grandes designers, como Pierre Cardin e Hubert de Givenchy, que atuaram como seus assistentes antes da fama. Eles também estão no meu curso “10 Estilistas que você deve conhecer“.

Uma curiosidade pertinente é a rivalidade entre Elsa Schiaparelli e Coco Chanel, estilista de quem já falei por aqui. Elas não tinham quase nada em comum. Schiaparelli nasceu na Itália; Chanel nasceu na França. Enquanto Chanel apostava no preto e no branco, Schiaparelli criou o rosa-choque.

Além disso, Chanel gostava de um estilo clássico. Já Schiaparelli era extravagante. No entanto, os ateliês ficavam muito próximos. Por isso, as concorrentes tinham clientes em comum. Schiaparelli ficava na Place Vendôme e Chanel se instalou na Rue Cambon. 

Para completar as curiosidades, um fato recente que deu o que falar foi o visual by Schiaparelli usado por Lady Gaga durante a posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, em janeiro. Fez muito sucesso, principalmente nas redes sociais! Na ocasião, a cantora apareceu com uma jaqueta azul de cashmere e uma uma saia rosa volumosa. O ponto alto do visual foi o enorme broche de pomba da paz.

 
 
 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Schiaparelli (@schiaparelli)

 

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Alta Costura

Entenda por que a alta-costura é o coração da moda

Para quem gosta de moda, é muito importante entender a relevância da alta-costura, um dos assuntos abordados no meu programa Paris Style Week. Trata-se da área mais sofisticada e criativa do universo fashion. Neste post, irei explicar a história do segmento, como funciona, e detalhes sobre as marcas que integram o setor. 

Outono/inverno 2021/22 da alta-costura da Dior
Valeria Doustaly Outono/inverno 2021/22 da alta-costura da Dior

Alta-costura: o segmento mais sofisticado da moda

Sofisticação e exclusividade são pilares que definem a alta-costura. O segmento mais luxuoso da moda é formado por uma série de critérios e regras que definem um tipo de moda muito específico. 

São roupas que seguem determinadas características para receber a denominação especial. Na maioria das vezes, são vestidos. Casacos e alfaiataria também entram no repertório. Os looks de haute couture são frequentemente usados em eventos de gala e tapetes vermelhos.

As coleções são reveladas durante a Semana de Alta-Costura, em Paris. O evento acontece duas vezes por ano, dividido entre as temporadas de primavera/verão e outono/inverno. Os desfiles são em janeiro e em julho. Os detalhes sempre estão no Instagram do Paris Style Week. A última edição, neste ano, foi a de outono/inverno 2021/22.

Para mim, a alta-costura é o coração do ecossistema da moda. É onde não falta fantasia e imaginação. Além disso, é o lugar onde a moda pode mostrar todos os métiers d’art, que são as profissões que estão por trás das criações e representam o handmade.

Look da Dior de alta-costura, parte do fall/winter 2021/22
Dior/Divulgação A alta-costura é o coração da moda. Na foto, um look do fall/winter 2021/22 da Dior
Look da marca Iris van Herpen
Fee-Gloria Grönemeyer/Iris van Herpen/Divulgação A marca Iris van Herpen, por exemplo, apresentou este look na última edição da Semana de Alta-Costura, em julho
Turma do Paris Style Week com vestido de haute couture da Givenchy
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week No meu programa Paris Style Week, conhecemos detalhes da haute couture. Aqui, um momento com vestido da Givenchy, de outono/inverno 2018, desenhado por Clare Waight Keller, que é ex-diretora criativa da maison
Grupo do Paris Style Week em visita a ateliê da marca Maison Rabih Kayrouz
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Grupo do Paris Style Week em visita a ateliê de alta-costura da marca Maison Rabih Kayrouz

História: por que a alta-costura é francesa

O segmento começou com o inglês Charles Frederick Worth (1825-1895). Nos anos 1840, ele foi morar em Paris. Lá, estava preocupado com as cópias de suas criações. Então, juntou-se a outros estilistas para criar uma associação que os protegesse de plágios. 

Em 1868, surgiu a Câmara Sindical da Costura, Fabricantes de Roupas e Alfaiates para Mulheres. Atualmente, a organização se chama Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda, mas também já teve outros nomes, como Câmara Sindical da Alta-Costura. Atualmente, a Federação é composta por três órgãos centrais (Alta-Costura, Moda Feminina e Moda Masculina).

A idade de ouro da alta-costura foi nos anos 1950. Depois, as maisons começaram a fechar devido ao boom do prêt-à-porter. Agora, a alta-costura segue fundamental para a moda. Considero muito importante defender a criatividade e o trabalho de todas as pessoas que se dedicam horas e horas em vestidos que nos fazem sonhar.

A alta-costura nos traz a possibilidade de um prazer extremo – para a mente – por meio da criatividade que transborda. Apesar de o idealizador ser britânico, a denominação nasceu na França. Além disso, até hoje, o país faz questão de preservar a haute couture, que faz parte do patrimônio e da cultura francesa.

Regras

Todas as peças são feitas à mão. São modelos únicos. Estamos falando de altas técnicas, de savoir-faire, dos tecidos mais rebuscados, e ainda de terminações e detalhes impecáveis. É uma indústria meticulosa. 

Na alta-costura, vemos plumas, drapeados, tules, vários tipos de bordados. Por isso, a alta-costura é exclusiva. Tudo que é manual, também custa caro. Para produzir uma peça com todo o glamour necessário, os artesãos podem levar centenas de horas. Isso reflete no valor final do produto.

O segmento engloba marcas exclusivas. Aqui, vamos além da elegância; trata-se de sofisticação. As grifes cumprem critérios estabelecidos pela Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda.

Uma das regras é a de que o ateliê deve ter no mínimo 20 funcionários. Esses profissionais são especializados em diferentes áreas ligadas ao handmade.

Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação As marcas seguem critérios rigorosos
Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação As peças devem ser feitas à mão
Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação Os detalhes são impressionantes
Turma do Paris Style Week em ateliê
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Esta turma do Paris Style Week conheceu flores e plumas feitas por Bruno Legeron para a haute couture. O artesão trabalhava para marcas como Celine, Dior, Dries Van Noten e Givenchy

Membros

A Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda é composta por cerca de 100 membros, que são marcas emblemáticas do cenário mundial. Entre elas, há os membros permanentes. As exigências mencionadas são principalmente para eles. Na lista, estão maisons como Chanel, Giambattista Valli, Givenchy, Dior e Schiaparelli. 

Os membros correspondentes são de outros países; apesar de cumprirem todos os requisitos, não têm ateliê na França. Entre eles, estão Fendi, Elie Saab, Alaïa, Armani, Iris Van Herpen e Valentino.

Detalhes de look de haute couture da Chanel
Chanel/Divulgação A Chanel está entre os membros permanentes
Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação A Dior também é sempre muito aguardada na Semana de Alta-Costura

Já os membros convidados podem estar patrocinados por outros membros. A organização dá a oportunidade de mostrarem o seu trabalho. Mesmo sendo um grupo exclusivo, a Federação Francesa de Alta-Costura abre as portas à diversidade e proporciona surpresas. 

Na última edição, por exemplo, desfilou pela primeira vez na Semana de Alta-Costura a marca Pyer Moss, fundada por Kerby Jean-Raymond. Foi o primeiro estilista negro e norte-americano a participar oficialmente do evento.


A alta-costura é muito importante, porque mantém vivas e traz inovações a todas as indústrias manuais. Se não fosse pelo segmento, as pequenas mãos da alta-costura não existiriam. Ficaríamos apenas com o prêt-à-porter e o fast fashion, que está focado na quantidade e no preço baixo. Pelo contrário, a alta-costura está baseada na criatividade.

Vale destacar que, apesar de ser formada sobretudo por marcas tradicionais, a alta-costura francesa também engloba etiquetas um pouco mais jovens, como Jean Paul Gaultier e Maison Margiela.

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História da moda

Christian Dior Granville: uma visita ao museu na Normandia

Depois de elencar opções imperdíveis de museus em Paris e visitar a mostra dedicada à trajetória de Gabrielle Chanel, o blog Paris Style Week foca em Christian Dior (1905-1957). Recentemente, tive o privilégio de fazer uma visita guiada ao Museu Christian Dior Granville, na Normandia. Neste post, trago detalhes interessantes sobre a experiência. Atualmente, o espaço apresenta a exposição “Dior En Roses”.

Valeria Doustaly em visita ao Museu Christian Dior Granville
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Museu Christian Dior Granville
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

A casa de Christian Dior

Um dos estilistas mais renomados do mundo foi Christian Dior. Ele é inclusive uma das personalidades que estão no meu curso on-line “10 Estilistas que você deve conhecer”, parte do programa Paris Style Week.

O estilista nasceu na cidade de Granville, na Normandia, situada ao norte da França. Em 1906, a família de Christian Dior (a mãe Madeleine e o pai Maurice) comprou uma casa encantadora na região. Para se ter uma ideia, hoje, a cidade fica a três horas de carro de Paris.

Na casa, conhecida como Les Rhumbs, Christian Dior passou a infância. Ele era o segundo de cinco irmãos. Ficaram no local até que a mãe morreu e o pai foi à falência. Antes dos anos 1940, a casa foi à leilão. 


Museu Christian Dior Granville

O museu nasceu sob a liderança do curador Jean Luc Dufresne, primo de Christian Dior, com a ideia de transformar Les Rhumbs em um lugar que homenageia a memória de Christian Dior. A cada ano, o espaço apresenta uma exposição temática sobre as criações do designer francês. 

Em 1991, foi criada a Associação Présence de Christian Dior, que gerencia o museu. O acervo é propriedade da cidade de Granville. Para manter o espaço, há o apoio de parceiros públicos e também privados, como a própria maison Dior e o grupo LVMH.

Valeria Doustaly em jardim de inverno
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Dior En Roses


A exposição “Dior En Roses” foi pensada para apresentar o estilo de Christian Dior. É dedicada principalmente à rosa, uma das flores favoritas do estilista. Inaugurada em 5 de junho, a mostra ficará disponível até 31 de outubro deste ano. 

Ao conhecer o local, temos a oportunidade de conhecer um jardim maravilhoso, muito bem cuidado, com diferentes tipos de rosas e outras flores; até mesmo criações especiais. Christian Dior via a mãe cuidando das flores, que sempre foram usadas como referência. Ela fazia uma verdadeira proeza! Uma informação relevante é que manter um jardim na Normandia é um desafio, devido ao inverno rigoroso e aos ventos fortes.

Flores em jardim no Museu Christian Dior Granville
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


A rosa, que dá nome à exposição, inspirou a silhueta Femme Fleur (mulher-flor em tradução), inicialmente imaginada no jardim de Granville. Um fato marcante é a quantidade de tecido colocada na silhueta mulher-flor, dando a impressão de que se formam pétalas de flores ao dar uma volta. Vale destacar que o designer foi o criador, em 1947, do famoso New Look, que consiste na silhueta reconhecida pela forma de “8”, com cintura de abelha. 

O cheiro da rosa também é usado em perfumes da marca, incluindo a primeira fragrância, a famosa Miss Dior. Além disso, a palavra “rosa” representa uma cor. Christian Dior, inclusive, dizia que toda mulher precisava ter o pigmento no guarda-roupa. 

A tonalidade rosa está nas paredes da casa que abriga o Museu Christian Dior Granville. A cor é mesclada com um cinza especial, que aparece no telhado. Essa combinação acompanhou o estilista em muitas criações.

Na exposição “Dior En Roses”, a maioria das peças são vestidos. Eu me surpreendi positivamente com a quantidade. Alguns vestidos, por exemplo, foram organizados para mostrar diferentes tipos de rosas. Em outros momentos, o grande destaque é a cor rosa, em diferentes tons.

Valeria Doustaly em ambiente com vestidos rosas da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Miniaturas de peças da Dior usadas para vender
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Perfumes by Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Lady Dior em exposição
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Calçado e bolsa da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Sapato da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Mais sobre a exposição

A exposição tem frases nas paredes, retiradas do livro Christian Dior Et Moi. Entre as peças expostas, há sapatos que combinam a marca Christian Dior junto com Roger Vivier. Nos acessórios, estão joias e também uma Lady Dior, que não poderia faltar. 

A organização fez modelos do próprio Christian Dior “conversarem” com criações de estilistas que seguiram trabalhando para a marca depois que ele faleceu, em 1957. Entre as peças, estão looks de Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferré, John Galliano e Raf Simons, até Maria Grazia Chiuri, atual diretora criativa da linha feminina da maison.


Um detalhe curioso visto na mostra é um look masculino desenvolvido por Kim Jones, atual diretor criativo da Dior Homme. A estampa do visual é a mesma de uma porcelana que pertenceu a Christian Dior.

Looks do Museu Christian Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week A exposição traz looks desenvolvidos por estilistas que sucederam Christian Dior no comando da maison. Este verde (foto), por exemplo, é de Yves Saint Laurent para a Dior
Look by John Galliano
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Look by John Galliano para Dior
Look by Kim Jones
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Esta é uma criação masculina de Kim Jones


Cada quarto da casa é um universo! Na exposição, há uma parte dedicada a outros jardins de Dior, que foram inspirados no primeiro. Entre eles, está o jardim em Milly-la-Forêt, ao sul de Paris, e o último jardim, em Montauroux (Provence).

Um dos ambientes é dedicado aos amigos artistas, como Raoul Dufy, Salvador Dali, Léonor Fini, Christian Bérard e Jean Cocteau. Em outro andar, é possível ver estrelas que usaram Dior ao longo dos anos. Nesse momento, toca a música La Vie En Rose. Pura simpatia!

Por fim, a exposição traz a relação da carreira do designer com sua família, principalmente a irmã mais nova, Catherine. Ela, que trabalhava com flores, sempre o apoiou e o inspirou.

“Dior En Roses” é realizada com empréstimos da Christian Dior Couture e da Parfums Christian Dior, bem como de pessoas físicas. Também foram cedidas peças de museus da Normandia e de museus parisienses (o Museu de Artes Decorativas e o Museu Nacional de Arte Moderna).

Folheto da exposição Dior En Roses
Museu Christian Dior Granville/Divulgação
Pintura Christian Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Valeria Doustaly em vista para o Oceano Atlântico
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

A visita

Para visitar o Museu Christian Dior Granville, é preciso se organizar com antecedência. Os ingressos ficam disponíveis on-line, mas são concorridos e esgotam rapidamente. Eu comprei um mês antes da visita!

Vale muito a pena! A vista é espetacular. Há penhascos que dão no Oceano Atlântico. No jardim, que por si só já é incrível, também há um salão de chás. Para completar, há a loja do museu.

As mostras temporárias acontecem durante o verão. Depois, no inverno, o museu fica fechado. A próxima exposição, em 2022, será sobre chapéus. Não deixe de seguir o Instagram do Paris Style Week para saber tudo! Por aqui, no blog, os posts são publicados toda segunda-feira. Até o próximo! Fique de olho!

 
 
 
 
 
 
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