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La Galerie: conheça o novo museu da Dior em Paris

A maison Dior acaba de inaugurar um novo museu em Paris. Batizada de La Galerie, em forma de exibição permanente, a novidade foi inaugurada em 9 de março. Poucas pessoas já foram ao local, e eu já tive a oportunidade de conferir de perto. Melhor ainda: levei a primeira turma do Paris Style Week de 2022. O local tem luxo por todos os lados. Creio que se trata da melhor exposição de moda que vi na minha vida, até agora! Saiba mais detalhes e descubra como conhecer.

A visita

Logo após a inauguração oficial, eu tive o privilégio de visitar La Galerie com o grupo de março deste ano do Paris Style Week. Os participantes ficaram maravilhados: aprenderam sobre a Dior, tiraram fotos e viveram momentos únicos. Era fim de dia, com muita emoção. Todos adoraram!

Além de oferecer uma verdadeira aula de moda, La Galerie é um show de beleza; um choque estético! Com certeza, o museu foi pensado e desenvolvido para encantar. É impossível sair de lá sem se apaixonar pela Dior. Quem já é fã da maison vai embora gostando ainda mais.

A grife explica: “De acordo com uma narrativa cenográfica única, La Galerie Dior por si só simboliza o espírito da alta-costura parisiense tanto quanto perpetua a memória do endereço histórico, revelando modelos, croquis originais e documentos de arquivo, mas também acessórios e peças excepcionais, a maioria expostas pela primeira vez”.

Na entrada, há uma escada majestosa de mármore branco em espiral. Ao lado, em uma enorme vidraça, podemos observar mais de mil miniaturas coloridas de itens memoráveis.

Em uma parte, o chão é transparente. Através do piso, vemos uma releitura do ateliê da Dior. 

É uma exposição em que se gasta no mínimo uma hora e 15 minutos para poder conferir todos os espaços. Sem dúvidas, é melhor ir com tempo de sobra, porque vale a pena ficar pelo menos uma hora e meia.

La Galerie da Dior, com miniaturas de peças
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Paty Loureiro, Ana Huth e Valeria Doustaly
Ao meu lado, à esquerda, Ana Huth e Paty Loureiro Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Ateliê da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Sobre La Galerie Dior

A maravilhosa La Galerie Dior está localizada na Rue François Ier. Detalhe relevante: fica próxima à loja principal da marca, na famosa Avenue Montaigne. Passou por uma reestruturação durante dois anos e meio,  acompanhada de novos points, como um restaurante e um café, além da galeria.

O museu é extraordinário. Para contar quem foi Christian Dior, expõe fotos lindíssimas. Há imagens do francês ainda pequeno, em registros especiais da infância, com direito a uma árvore genealógica. Há detalhes como fotos dos pais e das irmãs do estilista, de onde eles moravam, além da empresa onde trabalhava o pai.

Depois, também é abordada a história de Christian como couturier, antes de fundar a própria marca. Ele trabalhou em outras grifes, como Piguet e Lucien Lelong. Jovem, ele fez parte de diferentes equipes.

Podemos olhar fotos até de jornal parisiense no dia em que Christian Dior faleceu: 24 de outubro de 1957. Inclusive, a exposição aprofunda em fatos que aconteceram antes e depois do falecimento.

 

A magnífica La Galerie conta não somente a trajetória da vida de Christian Dior, mas também a história marcante da marca fundada por ele.  É claro que não poderia faltar a parte do nascimento da label na Avenue Montaigne. Uma oportunidade incrível para entrar de verdade na história da grife.

Como destacou a própria label: “Tinha que ser no número 30 da Avenue Montaigne”, escreveu Christian Dior em suas memórias, publicadas em 1956. O couturier definia como um “sonho ambicioso”. Em 1946, quando tudo começou, ele empregava 85 pessoas.

“A casa Christian Dior começou com três oficinas, localizadas no sótão da avenida Montaigne, 30: um pequeno estúdio, uma sala de apresentações, uma cabine, um escritório administrativo e seis pequenos provadores”
Christian Dior, Christian Dior e Eu, 1956

 

Não posso deixar de citar que o New Look está presente na galeria. A história da criação da peça icônica é evidenciada. A silhueta Femme Fleur (mulher-flor, em tradução) foi revelada em 1947 e revolucionou a moda, sobretudo após a Segunda Guerra Mundial.

New Look
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

 

Espaços conceituais

Cada sala é um universo, com direito a partes com foco em sons e movimentos. No ambiente de audiovisual, são exibidos vídeos de costureiros. As cores e iluminações de cada recinto variam.

Entre os espaços conceituais de La Galerie, divididos em andares, há uma área destinada exclusivamente a bordados. Também vale reparar em salas com calçados, luvas, joias, chapéus e perfumes.

Com o minucioso trabalho de Nathalie Crinière, curadora de retrospectivas da Dior, foram reunidos arquivos exclusivos. La Galerie contempla designs de todos os diretores criativos que já passaram pela maison. É claro que são expostas peças criadas por Maria Grazia Chiuri, a atual estilista que comanda a marca.

Por meio de peças de vestuário, também são mostrados exemplos de feitos deixados pelos designers Yves Saint Laurent (de 1957 até 1960), Marc Bohan (de 1960 a 1989), Gianfranco Ferrè (de 1989 a 1997), John Galliano (1997 a 2011) e Raf Simons (de 2012 até 2015). 

No entanto, La Galerie não fica apenas em fatos e valores históricos, mas também claramente tem um trabalho minucioso de marketing e de branding.

“São homenageadas as múltiplas fontes de inspiração: do esplendor dos jardins à sofisticação dos bailes, da beleza dos gestos das petites mains às afinidades artísticas, cada espaço evoca uma das muitas facetas do inestimável património que o a maison Dior valorizou desde a sua fundação e continua a enriquecer”, apontou a etiqueta.

 

Embaixadora global da Dior, a atriz Anya Taylor-Joy foi uma das pessoas privilegiadas que já fizeram um tour guiado na galeria. Com o Paris Style Week, você também pode!


Como conhecer La Galerie

Ficou com vontade de conhecer La Galerie Dior? A visita só pode ser feita com hora marcada. Venha comigo!

As inscrições para a próxima edição do Paris Style Week estão abertas. Não perca tempo!

Para obter mais informações e se inscrever, envie um e-mail para valeriadoustal[email protected]. Você receberá todos os detalhes importantes.

 

Também é essencial lembrar que Christian Dior é uma das personalidades que estão no meu curso “10 estilistas que você deve conhecer”. Por meio do legado de designers renomados da alta-costura, ensino sobre 100 anos de história e evolução fashion.

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História da moda

Azzedine Alaïa: uma visita ao museu que era ateliê do estilista

O estilista tunisiano Azzedine Alaïa (1935-2017) se consagrou em Paris. Uma das personalidades que eu abordo no curso “10 Estilistas que você deve conhecer”, ele fundou a Fundação Azzedine Alaïa, com sede onde era o ateliê e a casa do estilista. O ambiente também funciona como museu, com exposições temporárias. Tive a oportunidade de visitar a mostra (atualmente em cartaz) que mistura o trabalho do designer com obras do fotógrafo Peter Lindbergh.

Exposição Alaïa Lindbegh 2021
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação

Fundação Azzedine Alaïa 

“Quero criar uma fundação em minha casa no Marais para abrigar minhas coleções de moda, arte e design, além de meus próprios arquivos”, disse Azzedine Alaïa. O sonho se concretizou em 2007.

Azzedine Alaïa fundou a instituição com seu parceiro, o pintor Christoph Von Weyh, e a amiga Carla Sozzani, editora de livros e galerista. A ideia era preservar a própria trajetória e o legado construído durante décadas. Depois da morte do estilista, o local passou a receber exibições com arquivos de acervo pessoal.

No espaço, que fica no número 18 da Rue de la Verrerie, ele criou inúmeros designs icônicos e também morou. Desde fevereiro de 2020, por decreto do governo francês, a fundação é reconhecida como patrimônio público.

Recentemente, inclusive, a residência foi tema de um documentário, transmitido em canal público francês de comunicação. A produção mostra a relação de Azzedine Alaïa com o complexo industrial de mais de 4000 metros quadrados, onde ele transitava entre a vida pessoal e a profissional. 

A Fundação Azzedine Alaïa é incrível; uma parada imperdível para quem visita Paris! Além de museu, o ambiente comporta loja com peças criadas pelo estilista; uma livraria, com curadoria fantástica; e também um café recém-inaugurado. A experiência é completa!

Fundação Azzeine Alaïa
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação


A exposição atual

A primeira exposição de 2021 da Fundação Azzedine Alaïa estreou em maio e ficará aberta até 2 de janeiro de 2022. Por lá, eu fiz uma live imperdível (disponível na íntegra ao fim deste post). Com curadoria de Benjamin Lindbergh e Olivier Saillard, a mostra mescla obras do estilista com o trabalho do fotógrafo alemão Peter Lindbergh.

Trata-se de uma verdadeira conversa entre a arte da fotografia e a moda. O interessante é ver as peças de vestuário, criadas por Azzedine Alaïa, ao lado de imagens, clicadas por Lindbergh, que representam a história do design. 

O fotógrafo e o designer tinham características marcantes em comum. Além da ligação artística, eles usavam – de diferentes maneiras – cores sóbrias, principalmente o preto. Enquanto Lindbergh explorava luzes e sombras na câmera, Azzedine Alaïa brincava com tecidos e texturas.

Fundação Azzeine Alaïa
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Exposição de moda e fotografia
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Fundação Azzeine Alaïa
Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Olivier Saillard e Valeria Doustaly
Ao meu lado, Olivier Saillard, o curador da exposição Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Na exposição, é possível ver de perto o DNA criativo de Azzedine Alaïa, que ficou conhecido como um mestre da costura. O tunisiano trabalhava as peças como um escultor das formas.

Com estética conceitual e sexy, as criações eram feitas para mulheres ousadas. Afinal, a sensualidade é um marco nas criações do estilista. Ele apostava em silhuetas marcadas. 

Um dos materiais mais usados era o couro. Minissaias, capuz, argolas, recortes e modelagens justas também eram características frequentes. Uma das obras mais comentadas, por exemplo, é o cinto corset.

Vale destacar que Azzedine Alaïa ficou amigo de várias modelos, atrizes e cantoras, como Naomi Campbell e Tina Turner. Elas não poderiam faltar no acervo de imagens.

Foto de Naomi Campbell e o cinto corset ao lado
Cinto corset Stéphane Aït Ouarab/Fundação Azzeine Alaïa/Divulgação
Naomi Campbell com o cinto corset
Naomi Campbell usando o cinto corset Peter Lindbergh/Fundação Peter Lindbergh/Divulgação
Azzedine Alaïa e Tina Turner
Azzedine Alaïa e Tina Turner Peter Lindbergh/Fundação Peter Lindbergh/Divulgação

Em uma visita anterior à Fundação, pude conferir de perto a exposição que comparou peças desenhadas por Azzedine Alaïa com criações de Cristóbal Balenciaga. A exibição foi aberta em 27 de setembro de 2020 e encerrada no dia 14 de fevereiro deste ano.

Sempre que há exposições novas, eu levo os meus grupos que vêm a Paris. Aproveito para ressaltar que a próxima edição presencial do Paris Style Week será em 2022!

Azzedine Alaïa e Cristóbal Balenciaga
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Azzedine Alaïa e Cristóbal Balenciaga
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Azzedine Alaïa e Cristóbal Balenciaga
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


Quem foi Azzedine Alaïa

Azzedine Alaïa nasceu em Tunes, capital da Tunísia, no ano de 1935. Formou-se como escultor na École des Beaux-Arts de Tunis (Instituto de Belas Artes de Tunis). Na moda, a carreira começou em meados dos anos 1950, em Paris.

No começo da carreira, Azzedine Alaïa foi alfaiate na Dior, onde também trabalhou com Yves Saint Laurent. Depois, passou por grifes como Guy Laroche e Mugler. O tunisiano inaugurou o próprio ateliê no fim dos anos 1970.

O auge da carreira foi nos anos 1980, com uma moda totalmente atemporal. A primeira coleção de prêt-à-porter foi a de outono/inverno 1982. Contudo, foi na alta-costura que ele se encontrou verdadeiramente, pela satisfação de desenvolver looks únicos e exclusivos.

Estilista Azzedine Alaïa
Azzedine Alaïa/Divulgação

 

Azzedine Alaïa ficou conhecido por um estilo totalmente único; não se importava com tendências comerciais. Além disso, não seguia o calendário de temporadas do Paris Fashion Week. Ele desfilava quando a coleção estava concluída, no próprio tempo.

“Meu sonho era criar um vestido sem ter que ficar de olho no tempo que leva e sem ter que me preocupar quando vai ficar pronto, quando vai ser mostrado”, afirmou.

Azzedine Alaïa gostava de ser chamado de costureiro. Até o fim da vida, cortou e costurou. O estilista morreu em 18 de novembro de 2017. A última coleção de haute couture foi o outono/inverno 2017/18.

Como sempre, antes de encerrar, tenho uma pergunta para você: já se cadastrou na minha newsletter? Eu envio uma vez por mês, com informações relevantes para quem ama moda. Não deixe de se cadastrar! Preencha no fim da página!

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História da moda

Christian Dior Granville: uma visita ao museu na Normandia

Depois de elencar opções imperdíveis de museus em Paris e visitar a mostra dedicada à trajetória de Gabrielle Chanel, o blog Paris Style Week foca em Christian Dior (1905-1957). Recentemente, tive o privilégio de fazer uma visita guiada ao Museu Christian Dior Granville, na Normandia. Neste post, trago detalhes interessantes sobre a experiência. Atualmente, o espaço apresenta a exposição “Dior En Roses”.

Valeria Doustaly em visita ao Museu Christian Dior Granville
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Museu Christian Dior Granville
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

A casa de Christian Dior

Um dos estilistas mais renomados do mundo foi Christian Dior. Ele é inclusive uma das personalidades que estão no meu curso on-line “10 Estilistas que você deve conhecer”, parte do programa Paris Style Week.

O estilista nasceu na cidade de Granville, na Normandia, situada ao norte da França. Em 1906, a família de Christian Dior (a mãe Madeleine e o pai Maurice) comprou uma casa encantadora na região. Para se ter uma ideia, hoje, a cidade fica a três horas de carro de Paris.

Na casa, conhecida como Les Rhumbs, Christian Dior passou a infância. Ele era o segundo de cinco irmãos. Ficaram no local até que a mãe morreu e o pai foi à falência. Antes dos anos 1940, a casa foi à leilão. 


Museu Christian Dior Granville

O museu nasceu sob a liderança do curador Jean Luc Dufresne, primo de Christian Dior, com a ideia de transformar Les Rhumbs em um lugar que homenageia a memória de Christian Dior. A cada ano, o espaço apresenta uma exposição temática sobre as criações do designer francês. 

Em 1991, foi criada a Associação Présence de Christian Dior, que gerencia o museu. O acervo é propriedade da cidade de Granville. Para manter o espaço, há o apoio de parceiros públicos e também privados, como a própria maison Dior e o grupo LVMH.

Valeria Doustaly em jardim de inverno
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Dior En Roses


A exposição “Dior En Roses” foi pensada para apresentar o estilo de Christian Dior. É dedicada principalmente à rosa, uma das flores favoritas do estilista. Inaugurada em 5 de junho, a mostra ficará disponível até 31 de outubro deste ano. 

Ao conhecer o local, temos a oportunidade de conhecer um jardim maravilhoso, muito bem cuidado, com diferentes tipos de rosas e outras flores; até mesmo criações especiais. Christian Dior via a mãe cuidando das flores, que sempre foram usadas como referência. Ela fazia uma verdadeira proeza! Uma informação relevante é que manter um jardim na Normandia é um desafio, devido ao inverno rigoroso e aos ventos fortes.

Flores em jardim no Museu Christian Dior Granville
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week


A rosa, que dá nome à exposição, inspirou a silhueta Femme Fleur (mulher-flor em tradução), inicialmente imaginada no jardim de Granville. Um fato marcante é a quantidade de tecido colocada na silhueta mulher-flor, dando a impressão de que se formam pétalas de flores ao dar uma volta. Vale destacar que o designer foi o criador, em 1947, do famoso New Look, que consiste na silhueta reconhecida pela forma de “8”, com cintura de abelha. 

O cheiro da rosa também é usado em perfumes da marca, incluindo a primeira fragrância, a famosa Miss Dior. Além disso, a palavra “rosa” representa uma cor. Christian Dior, inclusive, dizia que toda mulher precisava ter o pigmento no guarda-roupa. 

A tonalidade rosa está nas paredes da casa que abriga o Museu Christian Dior Granville. A cor é mesclada com um cinza especial, que aparece no telhado. Essa combinação acompanhou o estilista em muitas criações.

Na exposição “Dior En Roses”, a maioria das peças são vestidos. Eu me surpreendi positivamente com a quantidade. Alguns vestidos, por exemplo, foram organizados para mostrar diferentes tipos de rosas. Em outros momentos, o grande destaque é a cor rosa, em diferentes tons.

Valeria Doustaly em ambiente com vestidos rosas da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Miniaturas de peças da Dior usadas para vender
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Perfumes by Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Lady Dior em exposição
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Calçado e bolsa da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Sapato da Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Mais sobre a exposição

A exposição tem frases nas paredes, retiradas do livro Christian Dior Et Moi. Entre as peças expostas, há sapatos que combinam a marca Christian Dior junto com Roger Vivier. Nos acessórios, estão joias e também uma Lady Dior, que não poderia faltar. 

A organização fez modelos do próprio Christian Dior “conversarem” com criações de estilistas que seguiram trabalhando para a marca depois que ele faleceu, em 1957. Entre as peças, estão looks de Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferré, John Galliano e Raf Simons, até Maria Grazia Chiuri, atual diretora criativa da linha feminina da maison.


Um detalhe curioso visto na mostra é um look masculino desenvolvido por Kim Jones, atual diretor criativo da Dior Homme. A estampa do visual é a mesma de uma porcelana que pertenceu a Christian Dior.

Looks do Museu Christian Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week A exposição traz looks desenvolvidos por estilistas que sucederam Christian Dior no comando da maison. Este verde (foto), por exemplo, é de Yves Saint Laurent para a Dior
Look by John Galliano
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Look by John Galliano para Dior
Look by Kim Jones
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Esta é uma criação masculina de Kim Jones


Cada quarto da casa é um universo! Na exposição, há uma parte dedicada a outros jardins de Dior, que foram inspirados no primeiro. Entre eles, está o jardim em Milly-la-Forêt, ao sul de Paris, e o último jardim, em Montauroux (Provence).

Um dos ambientes é dedicado aos amigos artistas, como Raoul Dufy, Salvador Dali, Léonor Fini, Christian Bérard e Jean Cocteau. Em outro andar, é possível ver estrelas que usaram Dior ao longo dos anos. Nesse momento, toca a música La Vie En Rose. Pura simpatia!

Por fim, a exposição traz a relação da carreira do designer com sua família, principalmente a irmã mais nova, Catherine. Ela, que trabalhava com flores, sempre o apoiou e o inspirou.

“Dior En Roses” é realizada com empréstimos da Christian Dior Couture e da Parfums Christian Dior, bem como de pessoas físicas. Também foram cedidas peças de museus da Normandia e de museus parisienses (o Museu de Artes Decorativas e o Museu Nacional de Arte Moderna).

Folheto da exposição Dior En Roses
Museu Christian Dior Granville/Divulgação
Pintura Christian Dior
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Valeria Doustaly em vista para o Oceano Atlântico
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

A visita

Para visitar o Museu Christian Dior Granville, é preciso se organizar com antecedência. Os ingressos ficam disponíveis on-line, mas são concorridos e esgotam rapidamente. Eu comprei um mês antes da visita!

Vale muito a pena! A vista é espetacular. Há penhascos que dão no Oceano Atlântico. No jardim, que por si só já é incrível, também há um salão de chás. Para completar, há a loja do museu.

As mostras temporárias acontecem durante o verão. Depois, no inverno, o museu fica fechado. A próxima exposição, em 2022, será sobre chapéus. Não deixe de seguir o Instagram do Paris Style Week para saber tudo! Por aqui, no blog, os posts são publicados toda segunda-feira. Até o próximo! Fique de olho!

 
 
 
 
 
 
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Paris

Museu de moda: 4 opções imperdíveis em Paris

Se você vem a Paris, alguns museus de moda são parada essencial. Com exposições temporárias e/ou permanentes, o Museu Yves Saint Laurent, o Palais Galliera, o Grand Palais e o Museu das Artes Decorativas oferecem conteúdo fashion de sobra. Todos eles são imperdíveis e também fazem parte do meu programa Paris Style Week.

Peças em exposição no Museu Yves Saint Laurent, em Paris
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Peças expostas no Museu Yves Saint Laurent Paris

Museu Yves Saint Laurent

Um dos museus de moda que mais fazem sucesso é o Museu Yves Saint Laurent, inaugurado no fim de 2017. Fica na 5 Avenue Marceau. Os ingressos podem ser reservados on-line.

O mais interessante é que fica onde era o ateliê do de Yves Saint Laurent. No local, o designer passou quase trinta anos desenhando coleções, de 1974 a 2002. Na visita, um momento interessante é o do escritório de Yves Saint Laurent. É uma grande oportunidade ver onde ele desenhava, onde ele recebia clientes da famosa maison.

O acervo aborda principalmente a história da moda do século 20 e as tradições da alta-costura. É um museu que recebe exibições retrospectivas e exposições temporárias, então sempre há novidades interessantes.

Atualmente, está em cartaz a mostra “Yves Saint Laurent: Nos bastidores da alta-costura em Lyon”, que ficará disponível até 5 de dezembro deste ano. O material demonstra a relação entre o costureiro e fabricantes e fornecedores têxteis de Lyon.

A exposição reúne 30 conjuntos de haute couture expostos ao lado de documentos originais, que exploram o processo criativo do estilista. Vale destacar que no mesmo edifício funciona a sede da Fundação Pierre Bergé – Yves Saint Laurent. 

Frente do museu de moda Yves Saint Laurent, em Paris
Sophie Carre/Musée Yves Saint Laurent Paris/Divulgação
Participantes do Paris Style Week no Museu Yves Saint Laurent, em Paris
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Escritório do estilista Yves Saint Laurent em museu de moda
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Palais Galliera

Outro museu importantíssimo para quem ama moda, e que faz parte da programação do Paris Style Week, é o Palais Galliera, conhecido como Museu da Moda de Paris. O endereço é 10 Avenue Pierre 1er de Serbie. É possível fazer reserva pelo site.

Criado por Paul-René-Léon Ginain a pedido de Marie Brignole-Sale, Duquesa de Galliera, a construção neo-renascentista foi inaugurada em 1895. Desde então, o Palais Galliera passou por outras atribuições antes de ser definitivamente dedicado à moda, em 1977, por meio Câmara Municipal de Paris.

O governo francês, por meio do Ministério da Cultura, investe no espaço. Compra peças em leilões. Essas aquisições ficam para as exposições. Por lá, já passaram mostras de designers como Azzedine Alaïa, Martin Margiela e Jeanne Lanvin.

O acervo do Palácio contempla cerca de 200 mil obras, que englobam roupas, acessórios, fotografias e desenhos, entre outras. As coleções remetem aos códigos de vestuário na França, desde o século 18 até os dias atuais.

Entre os departamento permanentes, estão “Trajes do século 18”, Trajes do século 19”, “Moda da primeira metade do século 20”, “Alta-costura”, “Criação contemporânea”, “Acessórios”, “O gabinete de artes gráficas”, “A coleção fotográfica”, e “Fundação Vogue Paris 2018”. 

Frente do museu Palais Galliera
Palais Galliera/Divulgação
Valeria Doustaly no Palais Galliera
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

Grand Palais

Também vale a pena visitar o Grand Palais, que muitas vezes traz exposições sobre fotografia de moda. O edifício fica na 3 Avenue du Général Eisenhower. Construído para a Exposição Universal de 1900, o Grand Palais foi classificado como monumento histórico em 2000. A estrutura tem um tamanho impressionante: 70 mil metros quadrados.

Você sabia que o Grand Palais recebe eventos frequentemente? Entre eles, estão os grandiosos desfiles da Chanel. O Palácio é destino recorrente para a revelação das icônicas coleções da maison. Enquanto comandou a label, Karl Lagerfeld explorou bastante o espaço. A atual diretora criativa da marca mantém a tradição.

Em março de 2021, o Grand Palais entrou em uma fase de restauração que seguirá até 2024. No entanto, algumas exposições estão abertas. Há a opção de comprar o bilhete virtualmente. Confira também as opções de tour on-line.

Vista aérea do Grand Palais, em Paris
Guignard/L'air Imagens/Grand Palais/Divulgação


Museu das Artes Decorativas

Outro que visitamos com o Paris Style Week e vale muito a pena é o Museu das Artes Decorativas, que envolve mobiliário, decoração, artes têxteis. A instituição foi fundada em 1986 por iniciativa de Pierre Bergé e da indústria têxtil francesa, com o apoio de Jack Lang, então Ministro da Cultura. 

O acervo de moda do museu consiste em mais de 150 mil itens, sendo têxteis e trajes antigos, assim como peças de alta-costura e do ready-to-wear. Desenhos e fotografias também estão no repertório, assim como arquivos de designers como Elsa Schiaparelli, Madeleine Vionnet e Cristóbal Balenciaga.

Por lá, há exposições fantásticas; algumas organizadas por marcas. A Dior, por exemplo, comemorou os 70 anos da maison, que foi uma das melhores exposições de moda dos últimos tempos.

Um dos arquivos temáticos do museu se chama “Cronologia da Moda 1715-1914”, que exemplifica a evolução do vestuário ao longo dos anos. Outro é focado na história das joias, da Idade Média até o século 17.

Entre as exposições itinerantes que já foram realizadas, está uma dedicada à trajetória da Harper’s Bazaar. A mostra ficou disponível até janeiro de 2021. Já o título “Marche et Démarche – A História do Sapato”, exibido de novembro de 2019 a de março de 2020, mostra como os calçados mudaram da Idade Média até aos dias de hoje, tanto no Ocidente como em culturas não-europeias.

Mais um exemplo: a mostra “Margiela, os anos Hermès”, que ficou no Museu das Artes Decorativas de março a setembro de 2018. A homenagem a Martin Margiela reuniu, pela primeira vez na França, as coleções de prêt-à-porter feminino que ele desenhou para a Hermès ao lado de criações para a marca homônima do designer.

O Museu das Artes Decorativas está situado na 107-111, rue de Rivoli. Oferece visitas guiadas, individualmente ou em grupos. A programação está disponível on-line.

Museu das Artes Decorativas, em Paris
Museu das Artes Decorativas/Divulgação