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19M: detalhes sobre a sede do Métiers d’Art da Chanel

A abertura oficial do 19M da Chanel aconteceu neste fim de ano, na capital francesa. Eu já fui conferir de perto e não poderia deixar de compartilhar detalhes da experiência. Sabe por quê? A minha próxima turma presencial do Paris Style Week, em março de 2022, terá o privilégio de uma visita exclusiva e incrível ao local.

O moderno edifício contempla ateliês especializados em bordados, flores, plumas e joias, entre outros ramos. Trata-se da sede do Métiers d’Art da maison, ou seja, as profissões de arte, que estão por trás das criações de alta-costura e representam o handmade.

19M da Chanel

Segundo a própria maison Chanel, a fundadora Coco Chanel entendeu que o seu trabalho teria mais significado se ela trabalhasse com artesãos. E essa ideia valorosa sempre permaneceu na casa de luxo.

Não à toa, a grife desenvolveu o complexo para abrigar os ateliês que trabalham para a haute couture. O 19M comporta mais de 600 artesãos de diferentes áreas. Alinhado com os valores da Chanel, o espaço foi pensado para que os profissionais se sintam acolhidos, confortáveis e respeitados.

Quer saber o significado do nome? Em discurso, Bruno Pavlovsky, presidente de moda da Chanel, explicou: “M é de Métiers d’Art, M de moda, M de mão, e M de maison e manufatura, mostrando a nossa união absoluta com os artesãos. E 19 porque estamos no 19º arrondissement e porque é o dia em que Gabrielle Chanel nasceu”, detalhou o executivo.

19M da Chanel
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
Edifício 19M, da Chanel, em Paris
Chanel/Divulgação

Os ateliês e o artesanato

O 19M reúne 10 das casas especializadas da divisão Paraffection, criada em 1997 pela Chanel para compilar todas as suas marcas de Métiers d´Art. Atualmente, engloba cerca de 25 empresas diferentes e seus arquivos históricos. 

No local, estão funcionando as casas de bordado Lesage, o ateliê Montex e MTX, o seu departamento de decoração, Lemarié (flores e plumas), Massaro (sapateiro), Maison Michel (chapelaria), Lognon (pregas) e Goossens (ourives).

Não é um lugar qualquer. Todos os ambientes do 19M são muito especiais. É um lugar único no mundo. Todo o prédio é destinado a enaltecer o artesanato, que é o trabalho mais importante da moda, pois nenhuma máquina pode substituir as técnicas manuais. 

O objetivo do 19M é preservar e desenvolver o savoir-faire dos artesãos e de suas obras. Afinal, trata-se de um segmento que deve ser passado por muitas gerações da história da Chanel e das marcas parceiras. Um verdadeiro e indispensável legado.

Bordado Lesage
Paul Lehr/Lesage/Chanel/Divulgação
Plumas Lemarié
Paul Lehr/Lemarié/Chanel/Divulgação
Bordado Lesage
Paul Lehr/Lesage/Chanel/Divulgação
Flores Lemarié
Paul Lehr/Lemarié/Chanel/Divulgação

 

Vale destacar que, na moda sustentável, o 19M tem muito valor. Não somente pelo foco no artesanato e em relação à área de recursos humanos e da valorização dos funcionários, mas também como um prédio novo que foi desenvolvido para cumprir critérios ecológicos, como o uso de menos energia. O design foi idealizado para que entre luz natural em todos os andares. Também há um jardim interior.

O projeto do 19M é do arquiteto francês Rudy Ricciotti; fato que logo me fez lembrar do Mucem (Museu da Civilização da Europa e do Mediterrâneo), que fica em Marseille e também foi projetado por ele. O jogo de sombras das estruturas, que são similares, deixa tudo mágico.

Situado no bairro Porte d’Aubervilliers, o edifício 19M tem 25 mil metros quadrados, planejados sob medida. Com 24 metros de altura, divididos em um complexo de cinco andares, a estrutura externa é feita com cimento e tecidos entrelaçados.

Miniatura 19M
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
19M, da Chanel, em Paris
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week
19M
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week

 

Como conhecer o 19M pessoalmente

A entrada no prédio é extremamente limitada e exclusiva. Por isso, conhecer o 19M é uma oportunidade imperdível. E você pode ter a chance de visitar o edifício icônico e rebuscado, em Paris, comigo! Basta se inscrever na próxima edição presencial do meu programa Paris Style Week.

A programação, que acontecerá de 14 a 18 de março de 2022, incluirá diversas experiências de moda, em meio ao glamour parisiense. Entre em contato pelo e-mail [email protected] para ter os detalhes da inscrição.

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Entenda por que a alta-costura é o coração da moda

Para quem gosta de moda, é muito importante entender a relevância da alta-costura, um dos assuntos abordados no meu programa Paris Style Week. Trata-se da área mais sofisticada e criativa do universo fashion. Neste post, irei explicar a história do segmento, como funciona, e detalhes sobre as marcas que integram o setor. 

Outono/inverno 2021/22 da alta-costura da Dior
Valeria Doustaly Outono/inverno 2021/22 da alta-costura da Dior

Alta-costura: o segmento mais sofisticado da moda

Sofisticação e exclusividade são pilares que definem a alta-costura. O segmento mais luxuoso da moda é formado por uma série de critérios e regras que definem um tipo de moda muito específico. 

São roupas que seguem determinadas características para receber a denominação especial. Na maioria das vezes, são vestidos. Casacos e alfaiataria também entram no repertório. Os looks de haute couture são frequentemente usados em eventos de gala e tapetes vermelhos.

As coleções são reveladas durante a Semana de Alta-Costura, em Paris. O evento acontece duas vezes por ano, dividido entre as temporadas de primavera/verão e outono/inverno. Os desfiles são em janeiro e em julho. Os detalhes sempre estão no Instagram do Paris Style Week. A última edição, neste ano, foi a de outono/inverno 2021/22.

Para mim, a alta-costura é o coração do ecossistema da moda. É onde não falta fantasia e imaginação. Além disso, é o lugar onde a moda pode mostrar todos os métiers d’art, que são as profissões que estão por trás das criações e representam o handmade.

Look da Dior de alta-costura, parte do fall/winter 2021/22
Dior/Divulgação A alta-costura é o coração da moda. Na foto, um look do fall/winter 2021/22 da Dior
Look da marca Iris van Herpen
Fee-Gloria Grönemeyer/Iris van Herpen/Divulgação A marca Iris van Herpen, por exemplo, apresentou este look na última edição da Semana de Alta-Costura, em julho
Turma do Paris Style Week com vestido de haute couture da Givenchy
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week No meu programa Paris Style Week, conhecemos detalhes da haute couture. Aqui, um momento com vestido da Givenchy, de outono/inverno 2018, desenhado por Clare Waight Keller, que é ex-diretora criativa da maison
Grupo do Paris Style Week em visita a ateliê da marca Maison Rabih Kayrouz
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Grupo do Paris Style Week em visita a ateliê de alta-costura da marca Maison Rabih Kayrouz

História: por que a alta-costura é francesa

O segmento começou com o inglês Charles Frederick Worth (1825-1895). Nos anos 1840, ele foi morar em Paris. Lá, estava preocupado com as cópias de suas criações. Então, juntou-se a outros estilistas para criar uma associação que os protegesse de plágios. 

Em 1868, surgiu a Câmara Sindical da Costura, Fabricantes de Roupas e Alfaiates para Mulheres. Atualmente, a organização se chama Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda, mas também já teve outros nomes, como Câmara Sindical da Alta-Costura. Atualmente, a Federação é composta por três órgãos centrais (Alta-Costura, Moda Feminina e Moda Masculina).

A idade de ouro da alta-costura foi nos anos 1950. Depois, as maisons começaram a fechar devido ao boom do prêt-à-porter. Agora, a alta-costura segue fundamental para a moda. Considero muito importante defender a criatividade e o trabalho de todas as pessoas que se dedicam horas e horas em vestidos que nos fazem sonhar.

A alta-costura nos traz a possibilidade de um prazer extremo – para a mente – por meio da criatividade que transborda. Apesar de o idealizador ser britânico, a denominação nasceu na França. Além disso, até hoje, o país faz questão de preservar a haute couture, que faz parte do patrimônio e da cultura francesa.

Regras

Todas as peças são feitas à mão. São modelos únicos. Estamos falando de altas técnicas, de savoir-faire, dos tecidos mais rebuscados, e ainda de terminações e detalhes impecáveis. É uma indústria meticulosa. 

Na alta-costura, vemos plumas, drapeados, tules, vários tipos de bordados. Por isso, a alta-costura é exclusiva. Tudo que é manual, também custa caro. Para produzir uma peça com todo o glamour necessário, os artesãos podem levar centenas de horas. Isso reflete no valor final do produto.

O segmento engloba marcas exclusivas. Aqui, vamos além da elegância; trata-se de sofisticação. As grifes cumprem critérios estabelecidos pela Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda.

Uma das regras é a de que o ateliê deve ter no mínimo 20 funcionários. Esses profissionais são especializados em diferentes áreas ligadas ao handmade.

Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação As marcas seguem critérios rigorosos
Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação As peças devem ser feitas à mão
Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação Os detalhes são impressionantes
Turma do Paris Style Week em ateliê
Valeria Doustaly | Blog Paris Style Week Esta turma do Paris Style Week conheceu flores e plumas feitas por Bruno Legeron para a haute couture. O artesão trabalhava para marcas como Celine, Dior, Dries Van Noten e Givenchy

Membros

A Federação Francesa de Alta-Costura e da Moda é composta por cerca de 100 membros, que são marcas emblemáticas do cenário mundial. Entre elas, há os membros permanentes. As exigências mencionadas são principalmente para eles. Na lista, estão maisons como Chanel, Giambattista Valli, Givenchy, Dior e Schiaparelli. 

Os membros correspondentes são de outros países; apesar de cumprirem todos os requisitos, não têm ateliê na França. Entre eles, estão Fendi, Elie Saab, Alaïa, Armani, Iris Van Herpen e Valentino.

Detalhes de look de haute couture da Chanel
Chanel/Divulgação A Chanel está entre os membros permanentes
Detalhes em ateliê da Dior
Sophie Carre/Dior/Divulgação A Dior também é sempre muito aguardada na Semana de Alta-Costura

Já os membros convidados podem estar patrocinados por outros membros. A organização dá a oportunidade de mostrarem o seu trabalho. Mesmo sendo um grupo exclusivo, a Federação Francesa de Alta-Costura abre as portas à diversidade e proporciona surpresas. 

Na última edição, por exemplo, desfilou pela primeira vez na Semana de Alta-Costura a marca Pyer Moss, fundada por Kerby Jean-Raymond. Foi o primeiro estilista negro e norte-americano a participar oficialmente do evento.


A alta-costura é muito importante, porque mantém vivas e traz inovações a todas as indústrias manuais. Se não fosse pelo segmento, as pequenas mãos da alta-costura não existiriam. Ficaríamos apenas com o prêt-à-porter e o fast fashion, que está focado na quantidade e no preço baixo. Pelo contrário, a alta-costura está baseada na criatividade.

Vale destacar que, apesar de ser formada sobretudo por marcas tradicionais, a alta-costura francesa também engloba etiquetas um pouco mais jovens, como Jean Paul Gaultier e Maison Margiela.

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